Arábia Saudita acusa houthis de atacar Meca; rebeldes negam: 'Mentira cansativa'

Arábia Saudita acusa houthis de atacar Meca; rebeldes negam: 'Mentira cansativa' - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita afirmou nesta quarta-feira ter destruído um drone lançado em direção à cidade sagrada de Meca pelos rebeldes houthis no Iêmen, um grupo apoiado pelo Irã, que negou qualquer ataque. Nesta terça-feira, as defesas aéreas sauditas destruíram "um drone hostil lançado pela milícia terrorista houthi antes que ele entrasse no espaço aéreo restrito da capital sagrada do Islã", escreveu a aliança em um comunicado, observando que a interceptação ocorreu ao sul da cidade. Leia mais: Conflito no Iêmen deixa 125 mil deslocados enquanto houthis avançam pela costa e atacam a Arábia Saudita, que promete revidar Quem são os houthis? Grupo do Iêmen ataca Israel com mísseis pela primeira vez desde o início da guerra "A segurança das duas mesquitas sagradas e de seus visitantes é uma linha vermelha", alertou a coalizão. A Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) condenou imediatamente os "ataques hediondos" que "profanam a santidade de locais sagrados e mesquitas e ferem os sentimentos dos muçulmanos em todo o mundo". Os houthis, que intensificaram os ataques contra a Arábia Saudita, aliada das autoridades iemenitas, desde o início de setembro, negaram ter atacado a cidade sagrada e denunciaram as acusações como "uma mentira cansativa", afirmou um de seus líderes, Hazm al-Assad, na rede social X. As autoridades sauditas emitiram um alerta de espaço aéreo para Meca na manhã de terça-feira, o primeiro desse tipo para este importante destino religioso que recebe milhões de peregrinos todos os anos. A Embaixada dos EUA na Arábia Saudita aconselhou seus cidadãos nesta quarta-feira a reconsiderarem qualquer viagem à Arábia Saudita e, em hipótese alguma, a se aproximarem da fronteira com o Iêmen. Os houthis, aliados próximos do Irã e pertencentes a um ramo do islamismo xiita, tomaram o controle na semana passada da costa iemenita banhada pelo Mar Vermelho, incluindo o Estreito de Bab el-Mandeb, contribuindo para um aumento vertiginoso nos preços do petróleo que está impactando a economia global. "Os interesses do mundo" O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman e o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi apelaram na terça-feira, no Cairo, para que se "garanta a liberdade e a segurança da navegação marítima" nesta rota estratégica. Esta passagem, que liga a Europa à Ásia através do Mar Vermelho e do Canal de Suez, já bastante movimentada antes da guerra no Oriente Médio, tornou-se ainda mais importante para a Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo bruto, desde que o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica. O seu fechamento teria consequências "catastróficas", admitiu nesta terça-feira o Ministério das Relações Exteriores do Catar. Por sua vez, os houthis afirmam que não há ameaça à navegação no Estreito de Bab el-Mandeb, exceto para os navios sauditas. Leia mais: Houthis disparam dezenas de mísseis contra a Arábia Saudita; Riad faz contato com os EUA após dano a oleoduto estratégico Durante uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas realizada em Nova York na noite passada, o embaixador iemenita Abdullah Al Saadi afirmou que as autoridades do seu país retomariam o controle de "cada centímetro do seu território" diante da rebelião. Ao combater isso, "o Iêmen está defendendo os interesses do resto do mundo", insistiu o diplomata, apelando ao apoio da comunidade internacional. Oleoduto paralisado Nesta terça-feira, o porta-voz militar houthi, Yahya Saree, acusou as forças armadas sauditas de realizarem "52 ataques aéreos" nas últimas 24 horas, visando "infraestrutura civil" em diversas províncias. No dia anterior, os houthis atacaram o sul da Arábia Saudita, onde 13 civis ficaram feridos, segundo Riad, que também os acusa de atacar infraestrutura petrolífera. Agora ameaçada em ambos os estreitos, a Arábia Saudita também sofre com a interrupção de seu oleoduto Leste-Oeste, que lhe permite contornar o Estreito de Ormuz, após ataques com drones originários do Iraque, de acordo com suas autoridades. Nesse contexto, o príncipe herdeiro saudita, Salman, busca garantir o apoio dos Estados Unidos e do Egito, país que teme uma redução em sua receita proveniente do Canal de Suez devido às ameaças à navegação no Mar Vermelho. Nesta quarta-feira, o petróleo Brent do Mar do Norte era negociado a US$ 108,50 o barril no início do pregão asiático, uma leve queda, embora ainda 80% acima do valor registrado antes do início do conflito no Golfo, no final de fevereiro. Pelo menos 100 mil pessoas foram deslocadas no Iêmen desde a retomada dos combates no início de setembro entre os houthis e as forças pró-governo, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo