A Meta considera construir data centers fora dos Estados Unidos e ampliar instalações existentes para reduzir o risco de sua expansão em inteligência artificial. A mudança de estratégia foi apresentada por Dina Powell McCormick, presidente da Meta e vice-presidente do Conselho de Administração da companhia, depois que candidatos contrários a novos empreendimentos venceram eleições importantes no país.
“Começar novos projetos de data centers hoje nos Estados Unidos será muito desafiador”, afirmou McCormick durante o WSJ Tech. A executiva disse que a Meta e outras gigantes da tecnologia já discutem se precisam levar uma parte maior dos investimentos para outros países.
“Posso dizer que todas as empresas de grande escala em nuvem estão pensando: ‘Precisamos construir fora dos Estados Unidos?’”, afirmou. “Como são investimentos enormes, proteger esses investimentos é uma decisão sensata.”
A declaração explicita uma consequência empresarial das eleições de meio de mandato. A resistência aos data centers ajudou democratas a conquistar os governos do Texas, da Geórgia e de Ohio, três estados envolvidos na expansão da infraestrutura de inteligência artificial.
Novos governadores defenderam interrupções condicionais, maior controle sobre licenças e proteções para impedir que moradores paguem pela energia exigida pelos projetos. Essa pressão chega quando a Meta tenta assegurar capacidade suficiente para levar seus agentes pessoais de IA a uma base de 3,6 bilhões de usuários.
Mark Zuckerberg colocou o sistema Muse no centro da estratégia da empresa e elevou a previsão de investimentos em infraestrutura e equipamentos para até US$ 145 bilhões neste ano, de acordo com o WSJ. McCormick disse que dedica cerca de 80% de seu tempo a garantir capacidade computacional para a Meta.
A executiva assumiu a presidência da companhia em janeiro com a missão de desenvolver parcerias com governos e investidores para financiar e instalar data centers em diferentes países. Quem já construiu ganha vantagem
A mudança política cria uma diferença entre empresas que já têm instalações em funcionamento e aquelas que ainda precisam encontrar terrenos, negociar energia e obter licenças. Segundo McCormick, ampliar data centers existentes tende a ser mais fácil porque as comunidades já conhecem o projeto e seus efeitos sobre empregos, arrecadação e infraestrutura.
Começar do zero exige construir também a aceitação política. A vantagem pode aumentar o valor da capacidade já instalada.
“É por isso que a computação está se tornando um ativo ainda mais escasso, que não foi totalmente precificado pelo mercado”, afirmou a executiva durante o evento. A avaliação coincide com a reação dos investidores depois das eleições.
Empresas que dependem da construção de novas instalações sofreram fortes quedas, enquanto Amazon, Microsoft e Alphabet chegaram a subir no primeiro pregão. Analistas interpretaram que grandes proprietárias de infraestrutura poderiam gastar menos e se beneficiar da valorização dos data centers que já controlam.
A Meta chega a essa disputa com duas décadas de experiência na construção dessas instalações. McCormick afirmou que a companhia tem data centers em 23 estados americanos e planeja ao menos cinco projetos com capacidade de um gigawatt ou mais.
O tamanho da aposta também aumenta o custo de um atraso. Em outubro, a Meta anunciou a criação de uma nova classe de ações sem direito a voto para futuras captações.
Na semana seguinte, apresentou um plano para levantar até US$ 97,5 bilhões em sucessivas ofertas de ações, segundo o Wall Street Journal. A busca por capital ocorre depois que a companhia registrou fluxo de caixa livre negativo pela primeira vez desde 2012, ano de sua abertura de capital.
O aumento dos gastos em IA já vinha inquietando investidores antes de as eleições acrescentarem o risco de licenças mais lentas, novas exigências ambientais e maior resistência local. Projeto de US$ 14 bilhões no Texas entra no radar
O principal exemplo da exposição da Meta está no Texas. A companhia se associou à BlackRock para desenvolver um campus de um gigawatt em El Paso, com previsão de começar a operar em 2028.
A estrutura envolve aproximadamente US$ 14 bilhões em custos de desenvolvimento dos prédios e da infraestrutura de energia, refrigeração e conectividade, segundo o anúncio oficial da Meta. A empresa afirma que seu investimento no local supera US$ 10 bilhões.
Fundos administrados pela BlackRock terão 80% do empreendimento, enquanto a Meta manterá os outros 20%. A operação inclui US$ 12,5 bilhões em financiamento por dívida.
A Meta será inicialmente a única ocupante e poderá permanecer no campus por até 20 anos. O contrato ainda prevê garantias da companhia sobre o valor futuro das instalações, com limite inicial próximo de US$ 13 bilhões e redução ao longo do tempo.
Esse desenho procura atrair capital externo sem retirar da Meta o controle operacional e o acesso à capacidade computacional. Mais de 2,3 mil pessoas já trabalhavam na construção quando a parceria foi anunciada, em julho.
A Meta projeta quatro mil empregos no pico das obras e 300 postos permanentes depois da conclusão. O futuro político do Texas mudou desde então.
A governadora eleita Gina Hinojosa defendeu a suspensão de novos projetos até que o Legislativo aprove regras sobre energia, água, incentivos fiscais e participação das comunidades. O estado concentra cerca de 25% da capacidade americana de data centers planejada, segundo uma estimativa do Goldman Sachs publicada pela Reuters.
A possibilidade de construir em outros países oferece uma saída, mas a geografia disponível também enfrenta restrições. McCormick citou limitações adotadas em mercados como Singapura e Austrália e afirmou que energia, terreno e apoio das comunidades passaram a ter peso semelhante na escolha de novos locais.
A Meta não informou quais países estão sendo avaliados nem anunciou a transferência de projetos americanos. A executiva descreveu a construção internacional como uma forma de distribuir o risco de investimentos que duram décadas e envolvem bilhões de dólares.
As negociações nos Estados Unidos também continuam. McCormick contou que um governador eleito depois de fazer oposição aos data centers procurou a companhia ainda na noite da votação.
Segundo o relato apresentado no WSJ Tech, o político propôs uma reunião após a posse com um pedido direto: não levar para outro lugar o investimento e os empregos planejados para seu estado. Mais Lidas
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