Após ver acordo descumprido, PT ensaia reaproximação com JHC em Alagoas de olho na eleição
O diretório nacional do PT busca se aproximar do ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC (PSDB). Após renunciar ao cargo no início de abril, ele ainda não anunciou se irá concorrer ao governo ou ao Senado, decisão que tende a modificar o tabuleiro político local. A tentativa petista ocorre em meio às críticas do senador Renan Filho (MDB), pré-candidato a governador na base do presidente Lula, ao ex-governador Teotônio Vilela Filho, líder do PSDB na região.
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Membros do PT em Alagoas afirmam que o intuito é fazer com que JHC cumpra com o acordo que teria firmado com Lula em agosto do ano passado, quando o presidente indicou Marluce Caldas, tia do ex-prefeito, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). O cálculo do presidente era que ele não concorresse ao governo e endossasse as candidaturas da família Calheiros, em especial de Renan Filho.
Interlocutores petistas consideram que Lula errou ao indicá-la sem a garantia de que JHC cumpriria o acordo e ressaltam a provável dificuldade do ex-prefeito em pedir votos para a reeleição do presidente, já que parte de seu eleitorado é bolsonarista.
Um fator que aproxima JHC do PT é sua relação com o vice-governador Ronaldo Lessa (PDT), seu aliado de longa data. Na semana passada, ao ser questionado sobre quem o ex-prefeito irá apoiar à Presidência, Lessa previu uma adesão ao petista:
— Eu não tenho dúvida nenhuma de que JHC está muito, muito mais para Lula — disse Lessa, em entrevista ao podcast local “Cadaminuto TV”.
Presidente nacional do PT, Edinho Silva esteve em Maceió no início de abril para cumprir agendas partidárias. Ele afirmou ter “relação excelente” com JHC. O líder partidário lembrou da convivência deles em Brasília, quando era ministro da Secretaria de Comunicação Social da ex-presidente Dilma Rousseff e JHC era deputado federal pelo PSB.
— Quero conversar com o JHC para que ele esteja do lado certo desse jogo, para que esteja do lado certo de um Brasil que seja justo, forte e que deixe legado para as próximas gerações. Esse é o Brasil do presidente Lula — disse Edinho ao portal local GazetaWeb.
Diante da tentativa de aproximação, o ex-ministro dos Transportes rechaçou retirar sua pré-candidatura:
— Eu sou candidato justamente para que a gente leve adiante o que vem acontecendo de bom em Alagoas, que foi exatamente interromper o governo do PSDB, aquele que você (Teotônio) governou.
Cortejado pelo PL
Sem mencionar Renan Filho, JHC rebateu as críticas do ex-ministro à gestão tucana no estado. Em postagem nas redes, o ex-prefeito publicou à época uma foto ao lado de Teotônio e escreveu elogios aos mandatos do ex-governador. O PSDB divulgou uma nota cobrando respeito à trajetória do tucano.
JHC também é cortejado pelo seu antigo partido, o PL, do qual saiu no final de março após divergências com o presidente nacional Valdemar Costa Neto. Agora, o ex-prefeito preside o diretório local do PSDB.
O novo dirigente local do PL é o deputado Alfredo Gaspar, que se lançou ao Senado em chapa com o deputado Arthur Lira (PP). Gaspar disse que apoia o ex-prefeito para concorrer ao governo, desde que ele não se alie a Lula.
Do lado governista, o senador Renan Calheiros (MDB) é pré-candidato à reeleição. Conforme mostrou a coluna de Lauro Jardim, do GLOBO, Calheiros chegou a convidar JHC para se juntar ao MDB antes de ele definir seu rumo partidário.
Segundo interlocutores de Lira, uma eventual aliança do ex-prefeito com os petistas seria considerada uma traição ao ex-presidente da Câmara, uma vez que eles estiveram lado a lado nas últimas eleições. Procurado, JHC não respondeu. (Yago Godoy)
