Após sair da casa dos pais, médica voltou em alta velocidade: 'foram mais de dez disparos', diz comerciante
A médica Andrea Marins Dias, de 61 anos, morta na noite do último domingo durante uma perseguição de policiais militares do 9º BPM (Rocha Miranda) a suspeitos de assalto em Cascadura, na Zona Norte do Rio, foi vista voltando em alta velocidade à rua onde moram seus pais, de onde havia saído pouco antes. Segundo relatos de moradores e comerciantes da região, os agentes teriam efetuado mais de dez disparos antes de retirar a médica já sem vida de seu carro, um Corolla Cross. As informações foram obtidas pelo GLOBO junto a testemunhas que e preferiram não se identificar.
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— Foram mais de dez de disparos. Antes, deu para ouvir a polícia dizendo: 'Não vai sair? Vai tomar! Vai morrer aí dentro!' — relatou um comerciante.
Imagens mostram o momento em que policiais militares cercam o carro da médica e chegam a bater com um fuzil na porta do motorista. Ao abrirem o veículo, os agentes encontraram o corpo de Andrea no banco do motorista. Uma testemunha também registrou em vídeo a abordagem: “Desce, irmão! Vai morrer! Vai morrer, irmão, desce!”, grita um dos policiais.
De acordo com o relato dos policiais do 9º BPM, a equipe fazia um patrulhamento de rotina quando foi informada por um pedestre de que ocupantes de um Corolla Cross faziam assaltos na região. Os PMs começaram a buscar pelo carro. No cruzamento das ruas Araruna e Cupertino, eles viram um Jeep Commander, um Corolla Cross e uma motocicleta.
Os veículos, segundo os policiais fluminenses, fugiram com a chegada da viatura. Os PMs afirmam que deram uma ordem de parada e que os ocupantes dos veículos, então, atiraram contra eles. Houve confronto, segundo os agentes.
O Corolla Cross seguiu pelas ruas Eufrásio Corrêa, Columbia, Goiás, Cupertino, Mendes e, no início da Rua Palatinado, a poucos metros da casa dos pais, de onde ela teria saído pouco antes, parou. O automóvel passou por uma perícia.
Andrea Marins Dias foi morta por bala perdida durante uma perseguição policial em Cascadura
Reprodução
Na segunda-feira, durante a visita da reportagem, uma patrulha da PM estava na entrada da via.
Mais cedo, ela teria passado em uma padaria para comprar um refrigerante. Segundo moradores, a médica seguia para a casa dos pais para um almoço de domingo. Vizinhos afirmam que Andrea cuidava sozinha dos dois, ambos idosos.
A PM destacou que os policiais que faziam parte da equipe envolvida na perseguição portava câmeras corporais. "Os dispositivos e as armas utilizadas pelos agentes estão à disposição do procedimento investigativo pela Polícia Civil", diz a nota da corporação.
As investigações estão a cargo da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Em nota, a Polícia Civil informou que "diligências estão em andamento para apurar os fatos".
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