Após retirada de candidato acusado de estupro, Partido Democrata indica novo nome em disputa crucial pelo Senado no Maine

Após retirada de candidato acusado de estupro, Partido Democrata indica novo nome em disputa crucial pelo Senado no Maine

Fonte: Bandeira



O Partido Democrata definiu neste sábado seu novo candidato para uma disputa crucial pelo Senado dos Estados Unidos, após a retirada da candidatura de Graham Platner, anteriormente nomeado, mas que abandonou a disputa após acusação de estupro.

O novo indicado é o progressista Troy Jackson, de 58 anos, ex-presidente do Senado estadual e liderança regional do partido.

Acusado de estupro: Derrocada de Platner dificulta retomada do Senado por democratas e reforça crítica a candidatos inexperientes da esquerda

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Jackson foi eleito em uma convenção extraordinária organizada em caráter de urgência, apenas 17 dias após Platner renunciar à disputa.

Ele venceu ainda em primeiro turno, ao reunir um apoio quase unânime, conquistando 566 votos a favor e apenas cinco contrários.

Sua adversária será a senadora Susan Collins, republicana que ocupa o cargo há cinco mandatos e tenta uma nova reeleição nas midterms marcadas para novembro.


— Hoje viramos a página — afirmou o novo candidato aos delegados reunidos em Bangor, no Maine.

— Hoje começamos o trabalho de derrotar Susan Collins em novembro.

A expectativa do Partido Democrata é de que a indicação de Jackson encerre o conturbado período de primárias, marcada pela ascensão e queda de Platner, e una o partido.

Não está claro, porém, quanto a desventura do ex-candidato — um fuzileiro naval veterano e ostricultor recém-chegado na política — vai impactar a corrida para o partido.

Após vencer a primeira indicação do partido ao Senado com uma mensagem não alinhada às estruturas tradicionais, Platner viu sua candidatura despencar depois que uma ex-companheira o acusou publicamente de estupro — o que ele negou, mas o fez abandonar a disputa.


Conhecido por falar com o forte sotaque característico da região florestal do norte do estado, Jackson, de 58 anos, é uma figura conhecida do eleitorado do Maine.

Ex-madeireiro, ele entrou para a política no fim da década de 1990 organizando protestos contra trabalhadores canadenses que atravessavam a fronteira para trabalhar por salários inferiores aos dos americanos.

Sua trajetória começou na Câmara Baixa do Maine, ascendendo até a Presidência do Senado estadual, cargo que ocupou entre 2018 e 2024.

Graham Platner fala a apoiadores em Blue Hill, no Maine, depois de vencer a primária do Partido Democrata para o Senado

Sophie Park/NYT

Defensor de um populismo econômico progressista, crítico das grandes corporações e apoiador do sistema universal de saúde conhecido como "Medicare para Todos", Jackson iniciou sua carreira política com posições bastante conservadoras em temas sociais.

Durante anos, foi contrário ao direito ao aborto, votou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e recebeu altas avaliações da National Rifle Association (NRA) — organização que defende o armamentismo civil.

No entanto, à medida que avançou na política do Maine, Jackson passou a adotar posições alinhadas ao campo progressista.

Como presidente do Senado estadual, ajudou a aprovar uma das legislações sobre aborto mais permissivas dos EUA, permitindo a realização do procedimento em qualquer estágio da gravidez, desde que autorizado por um médico.

As posições políticas de esquerda de Jackson refletem em grande parte as de Platner, que mobilizou democratas do Maine por meio de uma série de reuniões públicas ao longo do último ano.

Os dois fizeram campanha juntos no início deste ano, quando Jackson disputava o governo estadual, defendendo uma plataforma progressista semelhante, incluindo propostas como a extinção do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE), a agência federal responsável pela fiscalização da imigração e alfândega.

Corrida pelo Senado

Derrotado na disputa pela candidatura do partido ao governo estadual, Jackson agora será projetado para o centro de uma disputa crucial pelo Senado que, ao longo do último ano, atraiu atenção nacional e dezenas de milhões de dólares em investimentos de campanha.

Embora seja conhecido no cenário político local, a pouca projeção fora do Maine e entre os grandes doadores nacionais que financiam as disputas mais competitivas pelo Senado pode ser um elemento contra.


Apesar do estado situado no extremo nordeste dos EUA ter votado majoritariamente em candidatos democratas à Presidência desde 1992, a adversária de Jackson, Susan Collins, foi reeleita em quatro ocasiões a cada seis anos desde 1996.

Várias pesquisas de opinião davam Platner como vencedor em uma eventual disputa com Collins.

Desde que passou a ser apontado como principal escolha democrata, Jackson começou a associar Collins ao presidente Donald Trump, que perdeu o estado em cada uma de suas três campanhas presidenciais.

Em seu discurso de vitória, o candidato a senador afirmou que a adversária "serviu" a Trump e criticou seus votos favoráveis à confirmação dos indicados do republicano à Suprema Corte, bem como ao financiamento das políticas de fiscalização da imigração implementadas por seu governo.

Collins — que há muito tempo cultiva a imagem de uma moderada acima das disputas políticas mais agressivas — e seus aliados republicanos, por sua vez, têm buscado desqualificar Jackson em razão de aspectos pessoais.

Recentemente, a senadora se referiu a ele como um "Bernie Bro" — expressão usada para descrever apoiadores fervorosos de Bernie Sanders.

O Partido Republicano do Maine comparou Jackson a Platner, com o principal fundo de financiamento de campanha dos republicanos ao Senado divulgando um novo anúncio atacando o democrata com base em relatos de que ele poderia ter um temperamento explosivo, afirmando que ele era "como Graham Platner, só que pior".

(Com NYT e AFP)