Depois da repercussão negativa do debate na Band, Flávio Bolsonaro e Lula devem mudar a estratégia para o confronto na Globo, marcado para sexta-feira. Pesquisas qualitativas revelaram que o encontro na TV Bandeiras gerou forte desgaste e frustração entre os eleitores indecisos.
Grupos focais avaliaram o presidente Lula como cansado e com poucas propostas de futuro, enquanto Flávio Bolsonaro chamou a atenção negativamente pelo excesso de agressividade e ironias no palco, mantendo o eleitorado de centro em disputa aberta.
Diante dos diagnósticos internos de desempenho, os comitês dos dois candidatos preparam ajustes.
A equipe de Flávio quer conter o tom provocador e apresentar mais respostas concretas, enquanto os articuladores petistas cobram mais energia de Lula na defesa contra ataques e foco prioritário em projetos para um novo mandato. Nesta quarta-feira (21), a Quaest divulga mais uma rodada de pesquisa sobre a disputa presidencial. O Datafolha sai na quinta-feira.
Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro termina com troca de acusações e confusão na plateia Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) são candidatos à Presidência da República Brenno Carvalho / Agência O Globo e Marina Uezima/Brazil Photo Press/Agencia O Globo O primeiro debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais foi marcado por trocas de acusações, provocações e uma confusão na plateia durante as considerações finais.
O confronto, realizado na noite deste domingo (18), na sede da Band, em São Paulo, precisou ser interrompido pelos mediadores, que pediram diversas vezes que os convidados permanecessem em silêncio. No último bloco, Lula desafiou Flávio Bolsonaro a abrir os sigilos bancário e telefônico, assim como os de seus familiares, para que a Justiça pudesse apurar eventuais casos de corrupção antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O desafio foi feito depois de uma discussão sobre a atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos. Lula acusou os adversários de pressionarem pela imposição de tarifas contra o Brasil. Flávio rebateu, afirmando que a atuação no exterior teve o objetivo de defender empresas brasileiras. Após o encerramento do debate, Lula voltou a defender a abertura dos sigilos em entrevista à Band. "Eu resolvi fazer um desafio ao meu adversário porque não é possível que você fique fazendo debate falando de corrupção e você não tome uma atitude. Eu tomei a atitude de desafiar ele a abrir o sigilo telefônico dele, o sigilo bancário, para saber quem é que é corrupto nesse país", afirmou. Flávio Bolsonaro também conversou com a Band e ironizou a proposta do presidente. "Ele propõe a abertura, a quebra do sigilo telefônico, quando ele não tem celular", disse. O senador afirmou ainda que suas contas estão declaradas à Receita Federal e avaliou positivamente o próprio desempenho no confronto. O encerramento do debate foi marcado por um tumulto entre aliados dos dois candidatos que acompanhavam o programa no estúdio. Os apresentadores precisaram interromper as considerações finais para pedir silêncio e respeito à plateia. Segundo a repórter da CBN Karen Lemos, os candidatos aguardaram a redução das manifestações para continuar suas falas.
CBN