Dias após receber críticas pela recusa em aceitar ajuda internacional, o governo do presidente colombiano, Abelardo De La Espriella, anunciou a abertura do país para que equipes estrangeiras de resgate ajudem a atender à emergência provocada pelo terremoto que atingiu a Colômbia na segunda-feira.
O líder recém-empossado, porém, apenas autorizou a atuação de países com quem já mantém um forte alinhamento ideológico: na lista, somente Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador poderão participar das operações.
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Segundo o governo, a escolha é justificada com base na experiência comprovada dos países em mobilizar equipes de busca e resgate reconhecidas oficialmente e com padrão internacional de atuação.
Em entrevista coletiva na quarta-feira, o chanceler Omar Bula negou que a administração colombiana tenha feito escolhas ideológicas, destacando que Bogotá agradece a ajuda oferecida e trabalha com países “sem qualquer consideração ideológica”.
— Não excluímos absolutamente nenhum país.
Em relação às ofertas que nos foram feitas, trabalhamos com países sem qualquer consideração ideológica ou política — disse.
Também na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou por telefone com o chanceler colombiano.
De acordo com o Itamaraty, o governo brasileiro está tomando medidas para o envio de ajuda humanitária ao país, incluindo purificadores de ar, medicamentos e alimentos.
Ainda não há, porém, data ou quantidades definidas, segundo um diplomata ouvido pelo jornal RFI.
A mesma fonte afirmou que a ajuda é definida conforme a demanda do governo colombiano, que não solicitou equipes de busca e resgate.
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Um dia antes, o presidente salvadorenho, Nayib Bukele, havia dito que a Colômbia “solicitou ajuda humanitária exclusivamente na forma de insumos para atender às famílias afetadas pelo terremoto”.
Em publicação nas redes sociais, Bukele afirmou que seu governo foi informado de que “equipes de resgate, médicos e demais forças de emergências [colombianas] estão mobilizadas e atendendo à situação e, portanto, neste momento, não necessitam de apoio”:
“Se nossos irmãos colombianos precisarem de qualquer outro tipo de apoio, estaremos prontos para oferecê-lo”, escreveu, acrescentando que El Salvador enviará dois aviões de carga com 100 toneladas de ajuda.
Outras ofertas
De acordo com o jornal espanhol El País, um dos primeiros a alertar para a desorganização na administração colombiana para canalizar a cooperação internacional foi o embaixador da China em Bogotá, Zhu Jingyang, representante de um país do qual De la Espriella se distanciou, já que posiciona Washington como o eixo de sua política externa.
Em nota na terça-feira, o diplomata chinês lamentou a postura e afirmou:
“Esperamos que o governo colombiano divulgue imediatamente o nome do funcionário e seu contato oficial para coordenar a assistência em favor dos afetados pelo terremoto”.
Resposta: EUA anunciam US$ 15,5 milhões em ajuda à Colômbia após terremoto de magnitude 7,4
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, também distante ideologicamente do líder colombiano, já havia informado que um pacote de ajuda humanitária, acompanhado de uma equipe especializada em resgates em terremotos mexicanos, estava pronto para ser enviado às regiões mais atingidas pelo terremoto de magnitude 7,4, que deixou mais de 265 mortos e 500 desaparecidos.
“Estamos esperando a solicitação formal do governo da Colômbia, mas estamos prontos para, no momento em que nos disserem, ir ajudar”, escreveu Sheinbaum.
Mapa das áreas afetadas pelo terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia
Editoria de Arte
A oferta era semelhante à do presidente do Chile, José Antonio Kast, outro país muito propenso a terremotos e com ampla experiência em atendimento a emergências.
Diferentes governantes ofereceram apoio e disposição para ajudar — alguns alinhados a De la Espriella, como Kast, o argentino Javier Milei e o equatoriano Daniel Noboa, mas outros do outro lado do espectro ideológico, como o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, Sheinbaum e o espanhol Pedro Sánchez.
Nenhuma foi aceita publicamente, além dos agradecimentos pelo gesto.
A exceção mais notável é a dos EUA, que anunciaram uma ajuda de US$ 15,5 milhões destinada a abrigos de emergência, alimentos, proteção e avaliações dos danos causados pelo terremoto.
O Departamento de Estado americano informou que Washington ativou na segunda-feira uma equipe de resposta e assistência a desastres (DART, em inglês) que chegaria à Colômbia na terça-feira para operações críticas.
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A ONU, com longo histórico de presença no país por meio de diferentes agências, declarou estar preparada para ajudar no que for necessário.
Na terça, o secretário-geral do órgão, o português António Guterres, afirmou que “a ONU mantêm contato estreito com as autoridades colombianas e apoiam a resposta liderada pelo governo, conforme solicitado”.
Prazo esgotado
Empossado na última sexta-feira, o novo presidente colombiano ainda não havia nomeado os responsáveis por algumas entidades-chave para o atendimento de desastres, embora já tivesse antecipado que, na terça-feira, o engenheiro geólogo David Suárez Tamayo seria nomeado diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos (UNGRD).
Esse obstáculo, porém, foi agravado pelo rompimento da tradicional transição com o governo anterior, liderado pelo esquerdista Gustavo Petro.
Ao El País, um ex-funcionário do órgão que não quis ser identificado afirmou que, como a nova administração não fez a transição, agora está “pagando as consequências”.
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Enquanto isso, o prazo de 72 horas considerado decisivo para encontrar sobreviventes após o terremoto chega ao fim nesta quinta-feira, embora equipes de resgate ainda trabalhem sem parar em algumas regiões.
O presidente, por sua vez, decretou “emergência econômica”, uma medida que o autoriza a criar impostos e modificar o orçamento sem passar pelo Congresso, apesar de sua promessa de não criar novos tributos.
— Decidi fazer uso da emergência econômica, mecanismo previsto em nossa Constituição para poder enfrentar esta crise.
O chamado “Fundo Milagre” deverá concentrar recursos nacionais e internacionais destinados à reconstrução das áreas atingidas pelo terremoto.
A proposta prevê financiar a recuperação de hospitais, escolas, imóveis, estradas e aeroportos danificados pelo sismo.
O pacote também prevê medidas para aliviar os impactos econômicos sobre a população, como subsídios para o aluguel de famílias que perderam suas casas e pagamento temporário de serviços públicos.
Segundo dados oficiais, mais de 11 mil imóveis foram destruídos e milhares de famílias estão sem casa.
Muitas delas já passaram as últimas noites ao relento, seja porque suas casas sofreram danos, seja porque temiam novos tremores.
Além dos mortos e desaparecidos, o terremoto que atingiu o país deixou pelo menos 3,5 mil feridos.
(Com AFP)
