Após quase duas semanas, baleia jubarte segue encalhada e debilitada na Alemanha; veja o que se sabe até agora

 

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A baleia jubarte encalhada no Mar Báltico, no norte da Alemanha, segue viva neste domingo (5), mas permanece em estado crítico após quase duas semanas desde o início das operações. Segundo a cobertura ao vivo da emissora alemã NDR, o quadro do animal não apresentou mudanças significativas em relação ao dia anterior, mantendo o cenário de incerteza.

Após 12 dias de tentativas de resgate, baleia jubarte segue encalhada na Alemanha; autoridades já se preparam para morte

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De acordo com o Ministério do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a baleia continua presa em águas rasas no lago Kirchsee, próximo à ilha de Poel. Para aliviar o sofrimento, equipes mantêm aspersores que lançam água do Mar Báltico sobre o corpo do animal, ajudando a reduzir sua temperatura e protegendo a pele já comprometida.

O ministro Till Backhaus afirmou que os dados coletados indicam diferença significativa de temperatura entre áreas irrigadas e não irrigadas do corpo da baleia, o que reforça a importância da medida paliativa. Amostras de água também começaram a ser coletadas para entender melhor o impacto da baixa salinidade no estado do animal.

Decisão adiada e novos exames previstos

Segundo a NDR, uma decisão sobre eventuais novas medidas foi adiada e deve ser tomada apenas na terça-feira (7), após consulta a especialistas internacionais e veterinários. Até lá, a orientação é manter o monitoramento contínuo e evitar intervenções que possam aumentar o estresse do animal.

Os fortes ventos registrados nos últimos dias chegaram a dificultar as operações, obrigando a reposicionar os equipamentos usados para manter a baleia hidratada. Ainda assim, autoridades afirmam que a vigilância segue ininterrupta.

Ferimentos e agravamento do quadro

A queda do nível da água revelou novos ferimentos no corpo da baleia, que não eram visíveis anteriormente. Segundo Backhaus, há indícios de lesões possivelmente causadas pela hélice de uma embarcação, além de marcas associadas a redes de pesca.

Especialistas destacam que o estado exato do animal ainda não pode ser determinado, já que não é possível realizar exames internos. Há suspeitas de infecção ou danos a órgãos, o que pode explicar a debilidade prolongada.

Sem resgate, operação entra em fase final

As tentativas de resgate foram oficialmente encerradas na última quarta-feira, após avaliação de que as chances de sucesso eram mínimas. Autoridades e cientistas passaram, desde então, a priorizar o bem-estar do animal, evitando intervenções consideradas invasivas.

Apesar disso, a situação continua mobilizando a população local. Segundo a NDR, manifestações foram realizadas em Wismar, com moradores cobrando novas alternativas para salvar a baleia ou ao menos garantir um desfecho menos doloroso.

O ministro do Meio Ambiente rejeitou a possibilidade de eutanásia, afirmando que o animal deve ser mantido sob cuidados até o fim. Uma zona de exclusão de 500 metros foi estabelecida ao redor da área para evitar interferências externas.

Preparativos e investigação científica

Paralelamente, autoridades já se preparam para um possível desfecho fatal. Um navio de pesquisa foi enviado para analisar o fundo do mar, visando facilitar a eventual remoção do corpo. A carcaça deverá ser levada para Stralsund, onde passará por autópsia.

O esqueleto poderá ser preservado pela Universidade de Rostock para fins científicos e educativos, contribuindo para o estudo de encalhes e conservação de mamíferos marinhos.

O que se sabe até agora

A baleia jubarte não é uma espécie típica do Mar Báltico, ambiente considerado desfavorável devido à baixa salinidade, menor disponibilidade de alimento e ausência de outros indivíduos da mesma espécie. Esses fatores podem comprometer sua orientação e saúde.

O animal foi visto pela primeira vez na região em 3 de março e, desde então, passou por uma sequência de deslocamentos e encalhes. Após conseguir nadar livremente em alguns momentos, voltou a ficar preso em áreas rasas, o que agravou seu estado ao longo dos dias.

Especialistas apontam que a baleia pode ter se perdido ao seguir cardumes de peixes ou devido à desorientação causada por ruídos subaquáticos. Há também indícios de que tenha se envolvido com redes ou cordas, o que pode ter contribuído para os ferimentos.

Mesmo sendo capaz de sobreviver semanas sem se alimentar, o animal apresenta sinais claros de debilidade, agravados por possíveis lesões e pelo ambiente hostil.

Neste momento, segundo a cobertura da NDR, o caso segue sem definição. A decisão sobre os próximos passos — inclusive se haverá alguma nova tentativa de intervenção — deve ser tomada nos próximos dias, enquanto a baleia permanece sob monitoramento constante.