Após onda de direita, Gilmar Mendes diz ser ‘notável’ a falta de questionamento sobre urnas

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Fonte da notícia: Valor Valor

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse hoje ser “notável” que nenhum político tenha questionado as urnas após o primeiro turno das eleições, em que uma onda de direita foi eleita. Nas eleições anteriores, bolsonaristas colocaram o sistema eletrônico de votação em dúvida após a derrota de Jair Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Houve disputas acirradas, algumas decididas por margens extremamente apertadas, mas os resultados nas urnas foram respeitados. O Paraná oferece um exemplo marcante: o governador eleito obteve 50,10% dos votos válidos, apenas 0,10 ponto percentual acima do limite necessário para vencer no primeiro turno. É notável que nenhum líder político proeminente tenha contestado resultados desse tipo, produzidos pelo mesmo sistema de votação eletrônica utilizado nas eleições de 2018 e 2022. O sistema é auditável, resguarda o sigilo do voto e impede as práticas fraudulentas que mancharam eleições no passado”, disse Mendes, em publicação feita no X. Leia mais

Em 2022, o PL foi ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o resultado das eleições. Na ocasião, a legenda só questionou o segundo turno da disputa presidencial, deixando de lado o primeiro turno, que garantiu uma grande bancada ao partido no Congresso.

Na publicação, Gilmar ressaltou a importância das eleições e do sistema eletrônico de votação. “Dentro de apenas algumas horas após o fechamento das urnas, o sistema de Justiça Eleitoral do Brasil já havia anunciado os resultados”, afirmou.

Ele ironizou uma publicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elogiou a velocidade da totalização dos votos, mas confundiu o Brasil com a Índia. “A eficiência da apuração foi inclusive destacada pelo presidente dos Estados Unidos, que, em uma postagem contendo um pequeno erro, atribuiu a eleição do Brasil à Índia.”

“A organização bem-sucedida das eleições é ainda mais notável diante dos desafios logísticos envolvidos na realização de um pleito nacional em um país de dimensões continentais. Mais de 560 mil urnas eletrônicas foram distribuídas por mais de 5.500 municípios do Brasil, transportadas por estrada, rio e ar para alcançar comunidades rurais, aldeias indígenas, comunidades quilombolas e outras áreas remotas, com apoio logístico das Forças Armadas. Isso é uma demonstração convincente da notável capacidade institucional do sistema de Justiça Eleitoral do Brasil”, prosseguiu Mendes.

Em uma eleição marcada pela força da direita, o candidato do PL à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), terminou o primeiro turno com 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos válidos, excluindo brancos e nulos, à frente do presidente Lula, que teve 53,8 milhões de votos, ou 45,16%.

Os dois vão se enfrentar no segundo turno daqui a três semanas, em 25 de outubro. Flávio ganhou terreno nas pesquisas nas últimas semanas, aparecendo ainda um pouco atrás de Lula - no levantamento divulgado no sábado pela Quaest, o petista ficou com 46% dos votos válidos e o senador do PL, com 45%.

Com o desempenho de Flávio, a direita conseguiu no primeiro turno da eleição presidencial o seu melhor resultado desde a redemocratização em 1989. A direita também se saiu bem nas disputas para os governos estaduais e para o Senado - o PL elegeu ontem 19 senadores; a bancada do partido subirá para 28, mais de um terço dos 81 parlamentares da Casa.

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