O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), fez um balanço do segundo quadrimestre das contas públicas da gestão nesta segunda-feira, 26. O evento foi marcado, em sua maioria, por avaliações positivas tanto sobre a situação fiscal do município quanto sobre as entregas realizadas pela administração.
Ao contrário de outras prestações de contas — que tiveram bate-bocas frequentes, embates entre o prefeito e vereadores e mobilizações na galeria superior —, a apresentação desta segunda-feira teve cobranças, mas transcorreu sem os enfrentamentos observados anteriormente. Para o líder do Governo, Wellington Bessa (Mobiliza), a tranquilidade é reflexo do próprio trabalho conduzido pela gestão.
“A prestação de contas reforça bem isso, esse sentimento de que a cidade está sendo bem gerida, está sendo bem cuidada e os resultados virão ainda nessa gestão.” O mesmo sentimento foi compartilhado pelo novo presidente do Legislativo, Thialu Guiotti (Avante).
Ele pontuou que a relação do Executivo com a Casa evoluiu e lembrou que o próprio prefeito havia passado por um hiato fora da política e de cargos públicos. “Os secretários que fazem parte da atual gestão, nenhum é de amizade de longa data do Sandro.
Foram secretários contratados e que fazem parte da gestão pelo seu histórico, sua eficiência e pelo seu currículo.” Segundo Guiotti, 2026 foi um período de reajustes e de “tirar a poeira”.
“Agora o prefeito precisa fazer política, e política com músculo, mostrando à sociedade aquilo que foi feito até agora e como Goiânia ficará quando for entregue em 2028.” Já o presidente da Comissão Mista, Cabo Senna, avaliou que a sessão foi mais calma e amigável que as anteriores.
Segundo ele, a sociedade não quer um embate constante, em um “estica e puxa” entre vereadores e Prefeitura, mas uma relação de harmonia que resulte em melhorias para a cidade. Como exemplo dessa mudança, Senna citou a permanência de Mabel até o encerramento da reunião, sugestão feita pelo próprio presidente do colegiado.
“Embora os técnicos estejam todos aqui, e qualquer pergunta técnica teria resposta, a permanência dele para a questão política, da harmonia entre os poderes Executivo e Legislativo, seria importante e interessante.” Aproximação com o Legislativo
O clima de tranquilidade também simboliza a aproximação do prefeito com os vereadores. Em 2025, quando a interlocução entre Executivo e Legislativo ainda enfrentava dificuldades, as prestações de contas foram marcadas por cobranças mais duras e bate-bocas, inclusive entre Mabel e Cabo Senna.
Outro ponto destacado pelos vereadores foram os números apresentados pela Prefeitura. Segundo o balanço oficial, Goiânia arrecadou R$ 7,27 bilhões em receitas, o equivalente a aproximadamente 67% da previsão anual de R$ 10,84 bilhões estabelecida na Lei Orçamentária Anual (LOA).
As despesas liquidadas, por outro lado, somaram R$ 6,88 bilhões no mesmo período. Com isso, o município registrou superávit primário de R$ 137,9 milhões, acima da meta estabelecida de R$ 132,7 milhões.
Já o comprometimento da Receita Corrente Líquida (RCL) com a folha de pagamento do Executivo ficou em 45,58%, permanecendo abaixo do limite de alerta previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), de 48,6%. Investimentos
Os investimentos liquidados no período, um dos destaques da prestação de contas, somaram R$ 663,3 milhões, acima dos valores registrados em anos anteriores — R$ 297 milhões em 2023 e R$ 501 milhões em 2025. Até o encerramento de 2026, a gestão projeta alcançar R$ 1,03 bilhão em investimentos.
Em relação aos índices constitucionais de saúde e educação, os dados apresentados mostram cenários distintos. Enquanto a Saúde já supera o mínimo obrigatório, a Educação permanece, até o momento, abaixo do piso constitucional.
Na Saúde, foram aplicados 18,57% das receitas de impostos, acima do mínimo constitucional de 15%. A gestão também destacou o plano de construção simultânea de oito novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e 32 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), além da climatização das unidades da rede.
Na Educação, por outro lado, o índice apurado até o segundo quadrimestre ficou em 21,88%, abaixo do mínimo constitucional de 25%. A gestão afirma que a apuração definitiva ocorrerá ao fim do exercício, após a contabilização dos investimentos realizados no encerramento do ano.
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