Após deslizamento, moradores de comunidade na Região Oceânica de Niterói cobram obras de contenção

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O medo de novos deslizamentos acompanha os moradores da comunidade do Rato Molhado, no Maravista, em Itaipu, principalmente nos períodos de chuva forte. Em 14 de setembro, parte da contenção de um dos caminhos da localidade cedeu e atingiu uma casa.

O episódio levou à interdição de imóveis e reforçou uma antiga reivindicação da comunidade, que é a realização de novas obras de contenção de encostas e pavimentação. A prefeitura diz que intervenções estão em processo de contratação.

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Uma das moradoras que tiveram a casa interditada em setembro procurou o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) em busca de auxílio para deixar o imóvel, mas afirma que não conseguiu acesso ao aluguel social. Segundo ela, ao apresentar a documentação e explicar a situação, foi informada de que não havia mais auxílio-moradia disponível para novos beneficiários e recebeu a oferta de encaminhamento para um abrigo.

— Fui ao Cras, entreguei o documento e expliquei que minha casa tinha sido interditada. A funcionária disse que não havia mais esse auxílio porque o Estado estava falido e não estava pagando novos beneficiários.

Só me ofereceu encaminhamento para um abrigo — relata Eduardo Gomes Marques, ex-presidente da Associação de Moradores do Maravista, que vive na região há 32 anos, conta que os problemas com deslizamentos são antigos.

Em 2020, parte de uma encosta já havia cedido nos fundos de uma casa. Moradores fizeram um mutirão para retirar o entulho, mas outros trechos continuam preocupando a vizinhança.

— Graças a Deus a dona da casa não estava no quarto, não estava na parte onde o muro caiu. Senão, tinha sido esmagada — diz Marques sobre o episódio de setembro.

Segundo ele, o caminho atingido recentemente continua sendo utilizado pelos moradores, inclusive por crianças, apesar do risco de novos deslizamentos. A comunidade tem cerca de 200 famílias, de acordo com o ex-presidente da associação.

R$ 43 milhões: Comunidade de Niterói terá obras de urbanização O atual presidente, Cristiano Silva de Jesus, afirma que a cobrança envolve duas intervenções previstas para a localidade: a contenção das encostas e a pavimentação dos caminhos.

Ele diz que já entregou documentos pessoalmente ao prefeito Rodrigo Neves, mas ainda aguarda o início dos trabalhos. — São duas obras anunciadas que eram para sair.

A pavimentação, que é o caminho, e a contenção — afirma. A preocupação não se restringe às famílias que tiveram os imóveis interditados.

Jesus relata que uma moradora de outra casa ameaçada costuma retirar os filhos do local quando começa a chover, levando-os para a casa de familiares. O vereador Anderson Pipico (PT), que acompanha as reivindicações e atua na interlocução com o governo municipal, afirma que o projeto de urbanização do Morro da Luz, como também é conhecida a comunidade do Rato Molhado, está pronto.

Segundo ele, a liberação depende de providências para que as intervenções avancem. — Tenho pressionado o governo para que a gente possa ter o mais rápido possível esse projeto liberado, para resolver as contenções e as vias de acesso, os caminhos.

Tenho certeza de que a gente vai conseguir, junto com o prefeito Rodrigo, a liberação dessas obras o mais rápido possível— diz. Pipico acrescenta que conversou com a Defesa Civil para agilizar a emissão de um laudo que, segundo ele, pode facilitar a execução de intervenções emergenciais.

Além dos problemas nas encostas, os moradores cobram providências em relação a postes da rede elétrica que, afirmam, apresentam risco de queda. Obras em contratação

Procurada, a prefeitura informou que nos últimos anos foram realizadas obras de contenção de encostas e urbanização no local. De acordo com a administração municipal, novos projetos de contenção foram desmembrados em duas partes, sendo que uma delas, realizada atrás da unidade de Médico de Família Comandante Manuel Piñero Losada, foi concluída no fim de 2023 e teve investimento R$ 968 mil.

Sobre a outra parte do projeto de contenção de encostas, a fase de engenharia foi concluída e encontra-se na etapa de contratação. “Em setembro, após o deslizamento, quatro imóveis foram interditados pela Defesa Civil, totalizando cinco desabrigados e cinco desalojados, de acordo com as informações prestadas pelos responsáveis dos imóveis no momento dos atendimentos.

Todos os casos foram encaminhados para a Assistência Social e terão acompanhamento através do (Cras)”, diz em nota. Já a Enel Distribuição Rio informa que atuará junto à prefeitura no envio de equipes à comunidade para vistoriar os postes e programar, o mais rápido possível, suas substituições.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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