Em meio a derrotas para a esquerda e também para a extrema direita em eleições regionais pelo país, o governo da Alemanha, sob liderança da União Democrata-Cristã (CDU) do chanceler Friedrich Merz, planeja aprovar desconto para o preço da gasolina com implementação a partir de 1º de outubro, conforme o Ministério das Finanças.
Projeto de lei sobre a questão foi concluído no fim de semana e deve ser aprovado por ambas as casas do Parlamento ainda nesta semana, disse o porta-voz do ministério, relata a Reuters.
A queda na popularidade de Merz ao longo de apenas 16 meses no cargo é excepcionalmente acentuada, em especial para um líder que tomou medidas ousadas, seja nos investimentos em infraestrutura, nos gastos com defesa e no apoio à Ucrânia, reporta o jornal Financial Times.
Um corte emergencial nos impostos sobre combustíveis, anunciado às pressas pelo governo federal na sexta-feira à noite, é um lembrete de que a Alemanha ainda possui alguma margem de manobra fiscal que os vizinhos não têm, acrescenta o jornal.
Os mercados futuros de petróleo sinalizam que os investidores não esperam uma queda de preços da commodity no curto prazo. Como o conflito no Oriente Médio não dá sinais de arrefecimento, o governo alemão foi forçado a implementar novas medidas de apoio a consumidores e empresas, em tentativa de conter o descontentamento público e a ascensão, em especial, da extrema direita nas eleições regionais.
O governo alemão já estava sob pressão para agir rapidamente antes das eleições realizadas no domingo em Berlim e na região de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, onde o partido de Merz sofreu sua pior derrota do pós-guerra.
Ainda na sexta-feira, o governo federal anunciou que reduzirá os impostos sobre a gasolina e o diesel em € 0,17 por litro, dias depois de Merz prometer alívio para consumidores e empresas afetados pela alta dos preços dos combustíveis.
Um porta-voz do Ministério das Finanças afirmou que o objetivo é recuperar esse dinheiro por meio de um imposto sobre o lucro excedente gerado por empresas do setor de energia.
Os ministros de Finanças da União Europeia discutiram na sexta-feira a possibilidade de impor um imposto sobre lucros extraordinários, em todo o bloco, às empresas de energia que se beneficiaram da alta dos preços do petróleo e gás após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã — novas negociações estão previstas para outubro.
O ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, do Partido Social-Democrata (SPD), parceiro minoritário da coligação de governo, tem defendido a criação de um imposto sobre lucros extraordinários, enquanto a ministra da Economia, Katherina Reiche, e Merz, do partido conservador CDU, rejeitam a ideia. A disputa ilustra as crescentes divisões entre os parceiros da coalizão, o que ameaça a agenda de reformas para revitalizar a economia alemã.
A estimativa é de que o desconto no preço do combustível custará à federação e aos governos regionais cerca de 2,5 bilhões de euros. Os contratos futuros de petróleo continuam a ser negociados acima de US$ 100 por barril, em nível cerca de 50% superior ao que precedeu a guerra dos EUA no Irã.
Em abril, a Alemanha aprovou um bônus de alívio fiscal de até € 1.000 para trabalhadores e um desconto no combustível para maio e junho, como parte de um pacote para atenuar o impacto do aumento dos preços da gasolina.
O alívio no preço dos combustíveis para consumidores e empresas custou 1,6 bilhão de euros e, durante os dois meses em que esteve em vigor, a inflação diminuiu. Contudo, a inflação voltou a subir no país em julho com o fim do incentivo governamental, e a decorrente da energia avançou para 8,3%, comparada a 3,4% no mês anterior.
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