Uma jovem de 19 anos acusa um integrante da fraternidade Alpha Delta Phi, ligada a uma casa próxima à Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, de estupro durante uma festa em fevereiro deste ano. A mulher, identificada como Jane Doe no processo, entrou com uma ação judicial contra a organização e sua unidade no município, alegando negligência e omissão diante de denúncias anteriores de violência sexual no local. A polícia de Chicago confirmou que recebeu uma denúncia sobre o caso e informou que a investigação continua em andamento.
Veja dados: Universidades dos EUA registraram mais de 8 mil denúncias de estupro em 2024, aponta levantamento Violência sexual: Universidade Cornell, nos EUA, proíbe festas em fraternidades após denúncia de estupro coletivo de estudante De acordo com a ação, o episódio ocorreu ainda este ano, em 7 de fevereiro. A jovem afirma que recebeu uma dose de uma bebida alcoólica de um integrante da fraternidade e, pouco depois de ingeri-la, começou a sentir tontura e dificuldade para se manter em pé. Segundo a denúncia, um membro do grupo a conduziu até um quarto no andar superior da casa. Ela afirma que, apesar de ter informado que estava tonta e indisposta, o homem a levou até uma cama e iniciou investidas sexuais sem consentimento. A jovem relata que perdeu a capacidade física e verbal de resistir à abordagem e que o homem se recusou a usar preservativo, mesmo após um pedido dela.
A ação afirma ainda que o homem deixou a jovem inconsciente e sozinha no quarto após o episódio. Quando uma amiga soube que ela estava desacordada, tentou subir as escadas para encontrá-la, mas teria sido impedida por outros integrantes da fraternidade. A amiga só conseguiu chegar até a jovem depois que o homem acusado autorizou a entrada, segundo o processo. Ainda de acordo com a denúncia, a jovem teve dificuldade para falar e caminhar quando deixou a casa com a ajuda das amigas. Na manhã seguinte, após perceber manchas de sangue na roupa íntima, procurou a polícia. Ela também foi atendida no hospital Illinois Masonic, em Chicago.
Processo aponta denúncias anteriores A ação afirma que a fraternidade foi alvo de investigações policiais por denúncias de violência sexual desde 2009, incluindo dois casos registrados naquele ano com cinco dias de diferença e outro episódio em que uma vítima precisou ser levada de ambulância ao pronto-socorro. O processo também cita uma publicação anônima de setembro de 2022, no Instagram, que relatava outra denúncia contra a Alpha Delta Phi e pedia que a organização fosse colocada em período probatório. A autora alega que, apesar dos relatos acumulados entre 2009 e 2026, a organização nacional não adotou medidas disciplinares contra a unidade de Chicago nem estabeleceu restrições para as festas. A ação também aponta a ausência de exigências de segurança para os quartos residenciais e de monitores sóbrios nos andares superiores durante os eventos.
A jovem pede indenização pelos danos físicos, pelo sofrimento emocional e pelos impactos psicológicos que afirma continuar enfrentando. O processo foi apresentado no Tribunal do Condado de Cook, em Illinois. A ação também busca responsabilizar a organização nacional e sua unidade local pelas medidas que, segundo a denúncia, deixaram de ser adotadas para prevenir novos casos.
Em declaração à revista People, a direção nacional da Alpha Delta Phi afirmou que leva as acusações a sério e que suspendeu o integrante envolvido após tomar conhecimento do caso. A organização classificou a conduta descrita na denúncia como incompatível com seus valores e declarou que cooperará com as autoridades, respeitando os limites impostos pela ação judicial em andamento.
Estupros em Universidades nos EUA O caso ocorre em meio à repercussão de outra denúncia de violência sexual registrada em outubro, em uma casa da fraternidade Alpha Epsilon Pi, também nas proximidades da Universidade de Chicago. Os episódios não têm relação entre si, segundo a CBS News Chicago. A Universidade de Chicago afirma que as fraternidades não são organizações estudantis oficialmente reconhecidas pela instituição e, portanto, não têm vínculo formal com ela. Ainda assim, os estudantes da universidade estão sujeitos às regras internas e a eventuais procedimentos disciplinares. Recentemente, o nome da Universidade Cornell gerou repercussão nos Estados Unidos após uma ex-aluna denunciar ter sido dopada e estuprada por sete integrantes da fraternidade Chi Phi durante uma festa, em outubro de 2024. Em setembro de 2026, ela entrou com uma ação judicial contra os homens, a universidade e a organização, alegando falhas na resposta institucional.
Após a repercussão e protestos no campus, a universidade suspendeu festas em casas de fraternidades até o fim do ano letivo de 2026-2027. A investigação criminal, inicialmente encerrada sem acusações, foi retomada sob a responsabilidade da procuradora-geral de Nova York, Letitia James. Nenhum dos acusados havia sido criminalmente processado até as últimas informações publicadas.
O Globo