Uma decisão do México devolveu aos frigoríficos brasileiros o acesso a um mercado estimado em US$ 70 milhões por mês. Em 30 de outubro de 2026, o país mudou as restrições sanitárias adotadas após a identificação da doença de Newcastle em Santa Catarina.
A proibição, que havia alcançado todo o território brasileiro, passou a atingir somente o estado catarinense. As demais regiões habilitadas recuperaram a possibilidade de exportar produtos avícolas para o mercado mexicano.
A reviravolta ocorreu menos de duas semanas após a confirmação do primeiro foco da doença em uma granja comercial de perus no Oeste de Santa Catarina. Segundo estimativas do setor divulgadas pela CNN Brasil, o México representa um mercado de aproximadamente 25 mil toneladas de carne de frango e US$ 70 milhões em receita por mês.
O valor mostra a dimensão do comércio que a decisão ajuda a preservar; as vendas efetivas dependem dos contratos, das condições sanitárias e dos embarques. O México havia suspendido importações brasileiras de aves e produtos avícolas após a confirmação da doença em Nova Itaberaba, no dia 18 de outubro.
A decisão inicial atingiu exportadores de diferentes regiões, embora a ocorrência sanitária estivesse concentrada no Oeste catarinense. Para empresas habilitadas em outros estados, o bloqueio alcançou uma rota comercial importante.
O quadro mudou quando as autoridades mexicanas reconheceram a regionalização sanitária negociada pelo Brasil. Na nota oficial de 30 de outubro, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou que o embargo passou a ficar limitado a Santa Catarina, preservando as exportações provenientes das demais unidades da Federação que já cumprem os requisitos de habilitação.
A mudança foi negociada pelo Mapa e pelo Ministério das Relações Exteriores, com participação de representantes do setor produtivo e das autoridades mexicanas. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) destacou que o entendimento utiliza regras sanitárias capazes de distinguir a área afetada das origens consideradas aptas a vender.
Para frigoríficos habilitados fora de Santa Catarina, a decisão restabelece uma opção de destino para a produção. A dimensão econômica explica a atenção dedicada ao México.
A estimativa setorial citada pela CNN Agro em 30 de outubro coloca o fluxo comercial em torno de 25 mil toneladas e US$ 70 milhões mensais. Para empresas que trabalham com produção contínua, armazenagem refrigerada e contratos internacionais, manter um comprador importante ajuda a organizar as escalas das fábricas e os embarques.
Os dados anteriores mostram o peso desse destino. Segundo o relatório anual da ABPA, o México comprou 244.391 toneladas de carne de frango brasileira em 2025, aproximadamente 15% acima do volume de 2024.
O país está entre os principais compradores nas Américas, ao lado de Chile, Cuba, Peru e Argentina. O Brasil chegou ao episódio com exportações de frango em expansão.
Dados setoriais publicados no balanço de setembro indicaram 4,421 milhões de toneladas vendidas ao exterior de janeiro a setembro de 2026, com receita de US$ 8,673 bilhões. A manutenção de mercados internacionais tem peso para uma cadeia que reúne criadores integrados, frigoríficos, transporte, embalagens e operações portuárias.
A emergência começou em Nova Itaberaba, em 18 de outubro, quando foi confirmado o vírus da doença de Newcastle em uma granja de perus de corte. Na sequência, o serviço veterinário identificou outros focos em Coronel Freitas, no dia 24, e Nova Erechim, no dia 26.
Os três estabelecimentos estavam dentro da área de vigilância intensificada, conforme as informações da defesa agropecuária. A resposta envolveu interdição das granjas, retirada sanitária das aves, limpeza, desinfecção e controle do trânsito em propriedades rurais.
A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) informou em 31 de outubro que os três focos comerciais já haviam passado pelos procedimentos de despovoamento, limpeza e desinfecção. Naquela atualização, os agentes de vigilância já tinham inspecionado todos os estabelecimentos comerciais do terceiro raio de monitoramento, e 70 estabelecimentos apresentaram resultados laboratoriais negativos nas amostras processadas.
Mais de 80 profissionais continuavam em campo, com quatro barreiras sanitárias ativas para controlar a circulação de veículos e materiais. O trabalho avançava também sobre pequenas propriedades e criações de subsistência.
Relatórios sanitários, resultados laboratoriais e medidas de contenção fornecem aos compradores os elementos necessários para definir o alcance das restrições. O reconhecimento mexicano veio enquanto a defesa agropecuária continuava a vigilância no Oeste de Santa Catarina.
A doença de Newcastle é causada por um vírus capaz de atingir várias espécies de aves domésticas e silvestres. Sua circulação exige resposta rápida em estabelecimentos de criação comercial, porque a enfermidade pode provocar perdas na produção.
Por isso, certificados exigidos no comércio internacional incluem critérios de vigilância e controle sanitário para diferentes produtos avícolas. O primeiro foco catarinense foi confirmado por análise laboratorial em 18 de outubro, depois de investigação do serviço veterinário oficial.
A identificação acionou protocolos destinados a proteger propriedades próximas, a produção de aves e os compromissos comerciais com outros países. O Mapa e a Cidasc ressaltam que carne de aves e ovos submetidos à inspeção sanitária oficial continuam seguros para consumo.
As medidas emergenciais se concentram na circulação do vírus entre aves. Para os criadores, os cuidados incluem restringir a entrada de pessoas e veículos nas granjas, monitorar as aves e comunicar alterações de saúde ao serviço veterinário.
Regionalização sanitária é o reconhecimento de que uma ocorrência de doença pode exigir restrições a uma área delimitada, enquanto outras regiões continuam aptas a comerciar produtos dentro das exigências dos compradores. Para funcionar, essa divisão depende de vigilância, comprovação sanitária e reconhecimento pelo país importador.
O mecanismo aparece nas orientações da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). No caso mexicano, a aplicação permitiu manter a restrição a Santa Catarina e preservar o comércio das origens brasileiras habilitadas fora do estado.
O resultado comercial vai além do México. Um levantamento do Mapa divulgado em 28 de outubro calculou que negociações de regionalização com diversos parceiros ajudaram a evitar perdas potenciais da ordem de US$ 954 milhões ao ano, em comparação com um cenário de suspensão integral das compras.
A projeção reúne vários mercados e foi calculada a partir das exportações brasileiras de 2025. Para entender o tamanho da logística envolvida, basta observar um corredor de exportação brasileiro.
Segundo a administração dos Portos do Paraná, Paranaguá embarcou 1,87 milhão de toneladas de carne de frango entre janeiro e setembro de 2026, respondendo por 47% das exportações brasileiras do produto por via marítima naquele período. Contêineres refrigerados, câmaras de armazenagem, caminhões e terminais portuários fazem parte dessa cadeia.
A regularidade das vendas externas ajuda a sustentar operações dependentes de planejamento e prazos rigorosos para movimentar alimentos perecíveis. O Paraná está entre as maiores bases da avicultura brasileira e utiliza essa infraestrutura para alcançar diferentes mercados.
Os números de Paranaguá abrangem embarques para diversos países. A decisão mexicana preserva uma das oportunidades de comercialização para plantas habilitadas de regiões fora do foco, conforme os certificados e as regras sanitárias estabelecidas entre os governos.
As exportações fazem parte da formação do mercado brasileiro de carne de frango. Quando um comprador externo altera pedidos, frigoríficos podem ajustar a distribuição da produção entre mercados internos e externos.
Ração, oferta de aves, transporte, consumo e contratos também entram na formação dos preços. A retomada das compras mexicanas preserva uma saída relevante para a indústria avícola e reduz a incerteza para empresas de outras regiões.
O valor pago pelo consumidor brasileiro segue condicionado ao conjunto da oferta e da demanda, incluindo milho, farelo de soja, energia e transporte. Uma mudança de regra comercial pode afetar as decisões dos frigoríficos, mas seu impacto específico nas prateleiras depende da evolução das operações.
Para as famílias, as autoridades sanitárias confirmam a segurança dos produtos avícolas submetidos à inspeção oficial. No comércio exterior, frigoríficos habilitados fora da área afetada recuperam a possibilidade de atender o mercado mexicano, respeitando as condições acordadas.
O estado catarinense segue sujeito às restrições mexicanas durante os protocolos de acompanhamento e controle da doença. A Cidasc informou no fim de outubro que suas equipes concluíram a desinfecção dos três focos e avançaram nas visitas às propriedades da região.
As análises laboratoriais e a vigilância sanitária continuam importantes para novas etapas de normalização comercial. Para os demais estados brasileiros habilitados, a decisão de 30 de outubro restabeleceu uma rota de exportação que movimenta dezenas de milhões de dólares mensais em estimativas setoriais.
O México voltou a aceitar produtos avícolas de origens brasileiras autorizadas, enquanto a defesa agropecuária mantém o controle na área afetada. Uma mudança comercial com efeitos que chegam aos produtores, às indústrias e aos portos envolvidos no abastecimento internacional de alimentos.
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