Após ataque a prédio da Assembleia de Clérigos, lideranças do Irã discutem como definir novo líder supremo
A televisão estatal iraniana informou nesta sexta-feira (6) que um conselho de líderes do país se reuniu para discutir como realizar uma reunião da Assembleia de Clérigos, que escolherá o novo líder supremo da nação, após Israel e os EUA terem assassinado o antigo líder, Ali Khamenei, no último sábado (28).
O conselho de liderança inclui o presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do judiciário Gholam Hossein Mohseni Ejehi e o clérigo Aiatolá Ali Reza Arafi.
A declaração da televisão estatal não fornece um cronograma para a seleção do líder supremo, nem informações sobre se a Assembleia se reunirá presencialmente ou remotamente para a votação.
Edifícios associados à Assembleia de Clérigo, um painel composto por 88 membros, foram atacados durante a campanha de ataques aéreos israelenses-americanos.
Além disso, o velório de Khamenei ainda não teve um cronograma definido após ter sido adiado devido a grande comoção popular, segundo o Irã.
Trump defende acabar com estrutura de liderança do Irã e diz já ter nomes em mente para comandar país
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso no Conselho de Paz.
SAUL LOEB / AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu desmantelar completamente a estrutura de liderança do Irã e declarou que já tem alguns nomes em mente para liderar o país. As afirmações foram feitas em entrevista à NBC News, publicada nesta sexta-feira (6).
'Queremos entrar e limpar tudo. Não queremos alguém que reconstrua o país em dez anos. Queremos um bom líder. Temos pessoas que, acredito, fariam um bom trabalho', afirmou.
Ao ser questionado sobre nomes, Trump se recusou a revelar. Apesar disso, ele deixou escapar que está tomando medidas para garantir que os nomes em sua lista sobrevivam à guerra.
Quando questionado sobre quem lideraria o Irã no futuro, Trump respondeu: 'Não sei, mas em algum momento eles vão me ligar e perguntar quem eu quero', acrescentando que estava 'apenas sendo um pouco sarcástico ao dizer isso'.
Na mesma entrevista, Trump também respondeu ao ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, que afirmou que seu país estava pronto para uma invasão terrestre por forças americanas e israelenses.
O republicano chamou a declaração de 'comentário inútil' e insinuou que uma invasão não era algo em que ele estivesse pensando no momento. '
'É uma perda de tempo. Eles perderam tudo. Perderam a marinha. Perderam tudo o que podiam perder. E o ritmo e a intensidade dos ataques continuarão'.
O Irã enfrenta um vácuo de poder após a morte do líder supremo Ali Khamenei no último fim de semana, com rumores de que seu filho, Mojtaba Khamenei, poderia ser escolhido como o novo líder supremo.
Israel realiza mais ataques contra o Líbano
Bombardeio de Israel contra o Líbano.
AFP
O Exército de Israel iniciou uma série de ataques contra um subúrbio de Beirute, capital do Líbano, alegando atingir a infraestrutura do grupo xiita Hezbollah.
Antes dos bombardeios, as forças israelenses ordenaram a saída imediata de toda a região, onde vivem mais de 500 mil pessoas.
A ordem provocou pânico generalizado e congestionamentos nas principais vias da cidade.
Nessa quarta-feira (5), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não considerar enviar tropas ao Irã no momento.
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país está preparado para uma possível invasão terrestre por tropas americanas.
Trump também afirmou que vai se envolver na escolha do novo líder do Irã.
Segundo ele, o novo comandante do regime não deve ser o filho do antigo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
O americano reconheceu que Mojtaba Khamenei se tornou cotado, mas disse que o sucessor precisa ser escolhido em conjunto para que os Estados Unidos não precisem se envolver em outro conflito com o Irã dentro de cinco anos.
Em um evento para receber o time de futebol Inter Miami, Trump aproveitou para discursar sobre a operação militar no Oriente Médio.
O sexto dia de conflito foi marcado pela abertura de novos fronts de combate.
Pela primeira vez, o território do Azerbaijão foi atingido - drones explodiram perto do aeroporto e de uma escola. O Irã negou o ataque e afirmou que a autoria foi de Israel. O governo azeri - um dos maiores exportadores de petróleo e gás do mundo - prometeu responder.
O Bahrein, outro país do Oriente Médio que abriga uma base militar americana, sofreu um ataque de mísseis iranianos que atingiu a principal refinaria, mas o incêndio foi contido.
A Otan aumentou o nível de alerta depois da interceptação de um míssil iraniano no espaço aéreo da Turquia. O incidente não deixou vítimas.
Uma agressão a um território integrante da Otan pode arrastar todos os 32 países da aliança ao conflito.
Nesta quinta-feira (5), a Organização Marítima Internacional da ONU designou o Estreito de Ormuz e os golfos Pérsico e de Omã como uma área de operações de guerra. Segundo a agência, cerca de 20 mil marinheiros e 15 mil passageiros de navios de cruzeiro estão retidos devido ao conflito.
A Guarda Revolucionária do Irã reivindicou o controle total do Estreito e disse ter atingido um petroleiro americano no norte do Golfo Pérsico, que pegou fogo após o ataque.
Os Estados Unidos afirmaram que devem utilizar a Marinha para escoltar petroleiros caso seja necessário.
Destruição em Teerã, no Irã, após ataque de Israel.
AFP
