Após acusação de apoio ao terrorismo, fundador do Telegram usa imagem de jihadista em perfis nas redes sociais

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Depois de ser formalmente acusado de apoio ao terrorismo pelo Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) e entrar para a infame lista de terroristas e extremistas, o fundador do Telegram, Pavel Durov, respondeu com ironia, e passou a usar em suas redes sociais uma velha montagem sua como se fosse um jihardista do Estado Islâmico. Durov, que vive no exterior há mais de dez anos, teve a detenção decretada e pode ser condenado até à prisão perpétua se resolver voltar à Rússia.

Em abril: Reino Unido investiga Telegram por suspeita de disseminação de material de abuso infantil Afirma jornal: Telegram tem US$ 500 milhões em títulos russos congelados A mudança nos perfis começou a ser notada por usuários na manhã desta quarta-feira. Um deles foi Georgy Lobushkin, que era assessor de imprensa do gigante da tecnologia russo VKontakte, no período em que Durov trabalhou ali. A imagem não é exatamente nova: ela viralizou em 2017, por obra do próprio bilionário, que à época já se encontrava em meio a conflitos legais com as autoridades em Moscou. Contudo, a mudança não durou muito, e as redes não fazem menção à imagem do jihadista. Na véspera, o FSB acusou formalmente Durov de apoio ao terrorismo, afirmando que o Telegram se recusa a excluir canais onde, segundo as autoridades, agências de inteligência planejam atos de sabotagem, fraudes e assassinatos na Federação Russa. A acusação alega ainda que essa suposta omissão resultou em “numerosas vítimas humanas” e em “danos materiais de bilhões de dólares”. Um alvo dos investigadores é o chatbot Dayvinchik, oficialmente um serviço destinado a promover encontros mas que é acusado de servir de fachada para o recrutamento de jovens pelas agências de inteligência da Ucrânia. Ao menos 19 pessoas teriam sido presas na Rússia por suposto envolvimento “na prática de crimes através do serviço mencionado”, diz o Comitê de Investigação russo. O FSB, por sua vez, anunciou 46 prisões associadas ao inquérito, que foi aberto em fevereiro. Durov não se pronunciou, e a conta do Telegram na rede social X publicou uma imagem que pode falar por si só. Publicação do serviço de mensagens Telegram na rede social X Reprodução/Redes Sociais Nesta quinta-feira, o processo ganhou um novo capítulo, com a inclusão de Durov na lista de extremistas e terroristas do Serviço Federal de Monitoramento Financeiro. Na prática, seus bens na Federação Russa serão congelados e interações com a imprensa ou órgãos públicos são proibidas. O bilionário vive nos Emirados Árabes Unidos desde 2017.

Embora tenha nomes associados a atos violentos, a Anistia Internacional afirma que a lista é usada como uma ferramenta do Estado russo para silenciar dissidentes — pouco antes de morrer no cárcere, Alexei Navalny, um dos mais conhecidos opositores ao governo de Vladimir Putin, foi condenado a 19 anos de prisão por “extremismo”, e a sua Fundação Anti-Terrorismo foi classificada como organização terrorista no ano passado.

X no Brasil, Telegram na França: ‘Big techs’ e redes sociais entram na mira das autoridades Banido em vários países e alvo de um bloqueio quase total na Rússia, o Telegram tem cerca de 950 milhões de usuários pelo mundo, e se apresenta como um aplicativo de mensagens que prioriza a privacidade de seus usuários. Contudo, críticos apontam para mecanismos falhos de moderação e remoção de conteúdos, o que a empresa nega.

Em 2024, Durov foi preso na França como parte de uma investigação sobre crimes como a distribuição de imagens de abuso de menores, tráfico de drogas e fraudes ocorridos dentro da plataforma. Durov foi liberado após pagamento de fiança de € 5 milhões, e o caso foi tratado pelo Kremlin como uma demonstração de perseguição ocidental aos russos. — Mas todas as plataformas desse tipo são culpadas disso. Se é isso que estão fazendo com Durov, então outros provavelmente deveriam ser presos — disse Putin em setembro de 2024. — As ações do governo francês não estão totalmente claras para mim, pois são seletivas.

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