Apoiadores de vítima de suposto estupro em Cornell enchem redes de mensagens para confundir algoritmo; entenda

Apoiadores de vítima de suposto estupro em Cornell enchem redes de mensagens para confundir algoritmo; entenda - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Apoiadores de uma ex-aluna da Universidade Cornell que afirma ter sido dopada e estuprada por integrantes da fraternidade Chi Phi, em outubro de 2024, estão inundando as redes sociais com mensagens contendo a frase “I Am Jane Doe” (“Eu sou Jane Doe”, em tradução livre), segundo o site The Independent. A mobilização busca demonstrar solidariedade à mulher, que entrou com uma ação judicial contra a universidade e sete estudantes, e também confundir mecanismos de busca e sistemas de inteligência artificial que estariam tentando descobrir sua identidade. Veja também: Universidade Cornell fará revisão independente de como conduziu denúncia de estupro coletivo em 2024 E mais: Como está a saúde de Christa Pike após falha na execução nos EUA O que significa Jane Doe Nos Estados Unidos, Jane Doe é um nome fictício amplamente utilizado em processos judiciais, investigações policiais e outros documentos oficiais para representar uma mulher cuja identidade é desconhecida ou que precisa ser mantida em sigilo. O equivalente masculino é John Doe. No caso de Cornell, o pseudônimo é utilizado para preservar a identidade da mulher que acusa os estudantes de violência sexual. Ao repetir a expressão “I Am Jane Doe” nas redes, os apoiadores também pretendem criar uma grande quantidade de resultados associados ao nome fictício, o que, na visão deles, dificultaria que algoritmos encontrem ou apontem para uma possível identidade real. A fotógrafa Kelsey Combe, que participou da mobilização, disse à agência de notícias Associated Press que publicou a frase justamente para confundir mecanismos de busca e demonstrar apoio à mulher. A estratégia, segundo ela, acabou mostrando na prática como ferramentas de inteligência artificial podem produzir resultados incorretos. Depois de fazer as publicações, Combe relatou que uma ferramenta de IA passou a afirmar, equivocadamente, que ela própria era a Jane Doe que havia processado Cornell. Segundo a fotógrafa, o resultado foi posteriormente removido. Universidade de Cornell Heather Ainsworth/The New York Times Ela afirmou que, depois de alertar sobre o erro, recebeu comentários de pessoas que diziam que ela havia provocado a situação ao participar da campanha. A cantora Wendy Lea Brewer também publicou as frases “I Am Jane Doe” e “It’s Time to Speak” (“É hora de falar”, em tradução livre) no Instagram após tomar conhecimento do caso. — Estamos todas aqui sentindo a mesma coisa, e já tivemos o suficiente — afirmou Brewer à AP. Em 2024, mesmo ano do caso, mais de 8 mil denúncias de estupro foram registradas em universidades dos Estados Unidos.

O caso em Cornell A mulher que utiliza o pseudônimo Jane Doe procurou a polícia do campus em 8 de novembro de 2024, cerca de três semanas depois do episódio que, segundo seu relato, ocorreu em outubro daquele ano. Ela prestou depoimentos detalhados durante dois dias. Em janeiro de 2025, a Universidade Cornell abriu uma investigação interna sob o Título IX, legislação federal americana que trata de discriminação sexual em instituições de ensino. Segundo os advogados da mulher, foram realizadas pelo menos 12 audiências. Ao final do processo, apenas dois dos sete estudantes acusados foram expulsos. Os demais receberam punições administrativas consideradas mais brandas, como suspensões temporárias e até a obrigação de escrever redações. O promotor público do condado de Tompkins, Matthew Van Houten, havia inicialmente decidido não abrir uma ação criminal. Na época, afirmou não ter encontrado evidências suficientes de que o episódio teria ocorrido contra a vontade da mulher. Posteriormente, porém, o promotor afirmou que a nova ação civil apresentada pela vítima continha alegações e documentos que ele não havia analisado anteriormente. Entre eles está a transcrição de uma entrevista na qual ela afirma estar “100% convicta” de que foi estuprada. — Buscar justiça às vezes exige que reconsideremos ou reabramos casos quando recebemos evidências adicionais — disse Van Houten. Investigação criminal foi reaberta A investigação criminal sobre o estupro coletivo foi reaberta na última segunda-feira, depois que a governadora de Nova York, Kathy Hochul, designou a procuradora-geral do estado, Letitia James, para conduzir as apurações. Segundo Hochul, a estudante havia relatado o episódio de forma clara à polícia em 2024. — Ela ficou sentada durante horas e disse [à polícia] exatamente o que havia acontecido. E, segundo as novas informações, não poderia ter sido mais clara ao explicar que tinha 100% de certeza de que tinha sido estuprada — afirmou Hochul. As autoridades locais haviam decidido não abrir um processo criminal em 2024. Segundo elas, o depoimento da denunciante não demonstrava a falta de consentimento nas relações sexuais. Universidade não vai aguardar investigações No vídeo, Kotlikoff garantiu que Cornell "não vai esperar a conclusão da investigação ou da revisão para agir". — Continuaremos tomando todas as medidas necessárias para fazer de Cornell uma instituição que lidere não apenas no que dizemos sobre esses temas, mas também no trabalho que fazemos para enfrentá-los. Após as acusações, Cornell fechou a fraternidade Chi Phi e suspendeu temporariamente os estudantes supostamente envolvidos. Vários deles foram posteriormente expulsos.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo