A gestora capixaba Apex Partners disse, nesta terça-feira, que uma apuração interna preliminar apontou diversas movimentações suspeitas e que tiveram como destino as contas pessoas do seu ex-presidente Fernando Cinelli. No total, as movimentações teriam superado os R$ 28 milhões. Conforme a Apex, o montante permanece sob análise e poderá ser atualizado à medida que avançarem os trabalhos da auditoria independente. Nesta terça-feira, a Justiça determinou, a pedido da Apex, a indisponibilidade de todos os bens de Fernando Cinelli, além da quebra do seu sigilo bancário.
A movimentação é mais um capítulo da crise no grupo de investimentos capixaba. No último dia 6, a Apex disse que foram encontradas “inconsistências financeiras” em seus números e afastou Fernando Cinelli da presidência.
Na decisão desta terça-feira, o juiz Marcos Pereira Sanches, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, focou a análise em uma das movimentações, envolvendo um montante de R$ 5 milhões das contas da ABM Partnership Investimentos e Participações para a conta bancária pessoal de Cinelli. Segundo o juiz, até o momento, não teria sido identificado razão jurídica capaz de justificar a transferência.
“A conduta retratada em mais de uma oportunidade indica a dissipação dos bens em prejuízo de toda a coletividade de credores, de modo a impedir que se alcance o resultado útil do processo. Aí o pressuposto do risco. Mercê disso, defiro tutela de urgência, a fim de determinar a indisponibilidade de todos os bens do réu, bem como a quebra do sigilo bancário”, escreveu o juiz.
“De acordo com as verificações internas realizadas até o momento, não foi identificada relação entre essas transferências e os recursos diretamente aportados por investidores em projetos imobiliários ou fundos de investimento”, disse a Apex, em nota, sobre os valores levantados até o movimento por sua auditoria. A gestora disse ainda que permanece comprometida com a continuidade de suas operações e com o cumprimento de suas obrigações.
Em nota, a defesa de Cinelli afirmou que "o empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas. Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade".
Nos últimos dias, a gestora de recursos do grupo capixaba Apex Partners foi obrigada a vender parte sua participação na CVC. Os papéis haviam sido comprados a termo, operação em que a aquisição é acertada por um preço determinado para liquidação em uma data futura e que exige a apresentação de garantias. Com a crise afetando a imagem da asset, a Apex não conseguiu rolar essas operações e teve de se desfazer dos papéis.
Com isso, a participação dos fundos da gestora caiu de cerca de 12% para menos de 8%. Antes da crise, a Apex tinha cerca de 15% da CVC.
No dia 11, a Justiça do Espírito Santo concedeu à Apex uma tutela cautelar antecedente, uma espécie de "pré-recuperação judicial", que interrompe execuções e proíbe bloqueios contra as empresas do conglomerado, diante de um passivo líquido consolidado que o magistrado reconheceu em R$ 975 milhões.
Fernando Cimelli, da Apex Partners ATENÇÃO: DEFINIR CRÉDITO!
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