Apenas 45% dos docentes de matemática foram considerados proficientes pelo MEC

 

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Apenas 45% dos professores de matemática que fizeram a primeira Prova Nacional Docente conseguiram atingir o nível de proficiência, segundo dados do ministério da educação divulgados nesta quarta-feira (20). É o menor percentual entre as disciplinas avaliadas: os docentes de ciências humanas, por exemplo, atingiram 80% de proficiência, enquanto os de ciências chegaram a 78%.

A proficiência é o patamar mínimo estabelecido pelo MEC para que o professor seja considerado apto ao magistério. No total, 65% dos professores que fizeram o exame, aplicado em 2025, foram considerados proficientes. O teste serviu para avaliar profissionais já formados e estudantes concluintes em cursos de licenciatura no ano passado. Dos mais de 760 mil docentes que fizeram as provas, cerca de 492 mil foram considerados preparados para o magistério.

Faculdade presencial x EAD

O exame, no entanto, confirmou uma defasagem entre professores que fizeram cursos presenciais na faculdade e aqueles que se formaram na modalidade de Ensino à Distância, o popular EAD. Enquanto nos cursos presenciais mais de 73% conseguiram alcançar o nível de proficiência no Exame, 53% não atingiram o mínimo necessário no sistema EAD.

Segundo o ministro da Educação, Leonardo Barchini, o MEC já vem adotando medidas contra os cursos de formação de professores à distância. Novos cursos já estão proibidos. E os cursos ainda em funcionamento têm que ofererecer pelo menos 50% de disciplinas presenciais. Sobre a defasagem na formação dos professores de matemática, o ministro diz que ações precisarão ser adotadas para melhorar a formação.

“Há um número menor de professores proficientes em matemática, mas ainda é um número satisfatório diante das necessidades das redes. Já instituímos vários programas para melhorar a formação continuada desses professores e vamos adotar medidas específicas para a formação inicial. É claro que, à luz desses resultados — pela primeira vez com esse nível de detalhamento e magnitude —, vamos criar novas políticas e ações para melhorar a formação de professores em todas as áreas no Brasil", afirmou.

Para Talita Nascimento, diretora de Relações Governamentais do Todos pela Educação, os números mostram que é preciso encontrar de vez uma solução para o problema da formação de professores em cursos EAD, e que o ideal é garantir pelo menos 50% das atividades presenciais nos currículos de formação.

“Os dados mostram que os cursos EAD não estão formando bem os professores. Os cursos de pedagogia, no geral, já apresentam um cenário preocupante, mas, quando olhamos para o ensino à distância, vemos que isso amplia ainda mais as desigualdades e compromete a qualidade da formação docente. Está na hora de o Brasil enfrentar esse problema de uma vez por todas para garantir a aprendizagem adequada que queremos para os estudantes", defendeu.

O ministério avaliou ainda os cursos de licenciatura no ano passado. 60% dos cursos na modalidade EAD tiveram notas baixas na avaliação, ficando com conceitos 1 e 2. Já entre os cursos presenciais de licenciaturas, o desempenho melhora, mas ainda assim apenas 50% alcançam os conceitos 4 e 5, os mais altos. Ao todo, foram avaliados 3.420 cursos presenciais e 1.127 cursos EAD. Entre os cursos presenciais: 1.714 alcançaram conceitos 4 e 5. Já entre os EAD, apenas 225 cursos atingiram as notas mais altas.