Aos 30, Priscilla revê a carreira e revela o que mudou:

Aos 30, Priscilla revê a carreira e revela o que mudou: 'Hoje me sinto mais livre'

Fonte: Bandeira da fonte

Depois de duas décadas sob os olhos do público, Priscilla diz viver uma fase em que já não sente necessidade de provar nada.
Aos 30 anos, a cantora olha para a própria trajetória com mais acolhimento e menos cobrança, sem transformar o passado em uma lista de escolhas que gostaria de refazer.
Para ela, cada etapa teve seu papel na construção da mulher e da artista que é hoje.
É desse lugar, mais confortável e livre, que nasceu "ECO", seu primeiro álbum 100% independente.
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A mudança não significa romper com quem veio antes, mas assumir de outra maneira as decisões sobre os caminhos que quer seguir.
Priscilla conta à revista ELA que, ao longo dos anos, percebeu momentos em que conduziu a música a partir da vontade de provar algo, para os outros ou para si mesma.
Agora, prefere se colocar a serviço do que chama de seu dom, deixando que a criação tenha mais espaço do que a necessidade de controlar os resultados.
"Cada coisa tem seu tempo.
A gente precisa viver todas as fases da nossa vida, todas as nossas idades, sendo muito honesta com as ferramentas que temos naquele momento.
É impossível exigir da gente uma maturidade que ainda não chegou.
A gente tem que errar, viver, experimentar para poder ir amadurecendo.
Então, eu não fico pensando nessa coisa de fazer diferente.
Acho que, por eu ter feito tudo o que fiz, do jeito que fiz, é que estou aqui, e fico muito feliz com o resultado.
Hoje me sinto muito corajosa, muito madura para viver os 30 anos de um jeito mais confortável, mais livre.
Acredito que hoje tenho muito mais maturidade e amanhã vou ter mais ainda.
Respeito muito a Priscilla de cada tempo e gosto muito de me acolher.
Com certeza, essa fase está sendo de bastante maturidade e coragem", reflete.
Priscilla quer se aventurar como atriz após 20 anos de carreira
Divulgação Mateus Aguiar
Essa relação mais generosa com a própria história também aparece na maneira como ela enxerga o novo trabalho.
"ECO" não nasceu de um planejamento de carreira.
O projeto foi tomando forma durante o processo, e a espontaneidade acabou revelando uma certeza: a música funciona melhor para ela quando parte da paixão, e não apenas de uma estratégia.
"Sou muito apaixonada pelo que faço e vale a pena continuar fazendo arte a partir desse lugar da paixão, e não só da estratégia.
É claro que entendo a minha música como um produto, porque ela é, mas o valor dela não está necessariamente no que resulta em termos de mercado, e sim na paixão, na bênção que é ter um dom e poder tocar as pessoas através dele.
Esse álbum, esse processo que aconteceu de um jeito inesperado, me mostrou que o melhor realmente sai daquilo que vem de dentro, daquilo que é verdadeiro, sem forçação de barra.
Foi isso que experimentei nesse processo", avalia.
Assumir o controle também trouxe uma dimensão prática para essa nova fase.
Hoje, Priscilla é a própria empresária e trabalha com uma equipe de colaboradores.
A autonomia, segundo ela, exige atenção constante aos detalhes e envolve riscos, mas permite decidir o que fazer, como e em que momento.
"Apesar de ter algumas dificuldades e riscos, acho que tudo vale muito a pena para viver e experimentar esse lugar artístico, que é estar realmente à frente de tudo.
Hoje sou a minha própria empresária, tenho meus colaboradores, pessoas que trabalham comigo, e fico nesse papel de liderança.
Isso demanda muita atenção, porque é muita coisa em jogo, muito detalhe.
Existem riscos, mas acho que tudo vale a pena por ter esse controle da minha arte, poder fazer as coisas do meu jeito, no meu tempo.
Com certeza, é um lugar muito, muito gratificante de estar, mesmo tendo suas dificuldades", pondera.
A liberdade, porém, não significa se fechar ao que vem de fora.
Priscilla continua consciente de que sua imagem é construída também a partir do olhar de quem a acompanha desde criança.
A exposição, que começou ainda na infância, trouxe uma relação permanente com opiniões e expectativas.
Hoje, em vez de tentar controlar a percepção do público, ela procura administrar o efeito que esses julgamentos têm sobre si.
"A gente está todos os dias na frente das pessoas, que acompanham nosso crescimento e nossa evolução.
Então, nossa imagem está sempre sendo atualizada diante delas.
Conforme você muda, surgem novas opiniões, e cada vez que reaparece é mais uma opinião.
Acho que isso é um ciclo sem fim.
Por isso, é preciso aprender a lidar com isso e ter paciência, além da sabedoria de entender que a expectativa do outro sempre vai existir.
Você precisa administrar tudo da melhor forma para não ser afetada negativamente.
É mais isso que faço: não procuro mudar a opinião de ninguém, mas administrar melhor o que esse tipo de atitude pode causar em mim", observa.
'ECO': aos 30, Priscilla aposta na liberdade para conduzir a própria carreira
Divulgação Mateus Aguiar
Nas redes sociais, essa escolha se traduz em uma tentativa de não transformar a presença digital em medida para as próprias decisões.
Ela diz que acompanha o retorno do público, mas procura filtrar o que chega e manter a atenção naquilo que considera essencial.
"A gente tem que ter foco na vida.
Tudo aquilo em que colocamos atenção cresce, onde colocamos nossa energia floresce.
Então tomo muito cuidado com isso.
Eu leio o que as pessoas falam, não vou atrás, mas consigo ter um feedback geral do que estão comentando.
Tento filtrar ao máximo e me concentrar no que verdadeiramente importa: primeiro, estar bem comigo, segura na minha verdade, na minha autenticidade e no meu caráter.
Também quero estar focada em fazer aquilo que desejo que as pessoas recebam de mim através da minha arte.
E aí você vai vivendo sua própria vida enquanto os outros simplesmente assistem, independentemente do que esperam de você.
Minha questão é me manter no meu caminho, sem me distrair com opiniões ou cobranças, porque realmente não temos como atender todo mundo e também não podemos deixar a demanda de cada um cair sobre nós", explica.
Essa nova disposição também abre espaço para experimentar outras formas de expressão.
Depois das experiências no teatro musical, Priscilla passou a estudar atuação e pretende explorar o audiovisual, especialmente séries e filmes.
A mudança representa um território ainda pouco conhecido por ela, justamente o que parece despertar seu interesse neste momento.
"Tenho muita vontade de explorar mais a atuação.
Acho que, depois das minhas experiências no teatro musical, isso foi aflorando em mim.
Sempre quis, em algum momento, ter novas experiências nessa área.
Entendi que poderia ser uma ótima hora para aproveitar que estou numa fase de querer me aventurar em coisas novas.
Tenho estudado atuação e buscado repertório para viver algumas oportunidades em séries.
O audiovisual, de modo geral, também me atrai muito.
Como tive bastante experiência em TV, acho que a câmera, por si só, já me chama atenção.
E existe também o fator novidade: nunca fiz oficialmente um trabalho me colocando como atriz.
Então, ocupar esse lugar é algo que vai me interessar muito no futuro", conta.
A televisão, por outro lado, parece ter cumprido seu ciclo.
Depois de experiências como apresentadora em programas como "Bom Dia & Cia", "The Masked Singer" e "TVZ", ela não tem, hoje, interesse em voltar ao formato.
O audiovisual, no entanto, continua entre seus planos.
"Hoje eu não tenho vontade de apresentar nenhum programa, acho que eu experimentei bastante coisa nesse segmento.
Mas o audiovisual me atrai muito.
Então eu tenho estudado atuação, principalmente depois que eu iniciei no teatro musical, e eu quero muito começar a fazer série, filme, ingressar realmente nesse segmento que eu adoro e que eu ainda não fiz muitas coisas assim oficialmente me colocando ali realmente como uma atriz.
Então com certeza esse é um lugar que eu quero estar", diz.
Priscilla aos 30: uma nova fase de liberdade, coragem e escolhas próprias
Divulgação Mateus Aguiar
A relação com o público também tem limites que Priscilla escolhe estabelecer.
Ela entende que nem tudo precisa ser compartilhado.
Há uma parte da vida que prefere preservar, mas, quando decide se abrir, procura fazer isso com honestidade.
"Depois de tanto tempo sendo uma pessoa pública, considero muito importante estabelecer esse limite entre minha vida profissional e pessoal e mostrar o que quero que as pessoas vejam.
Também existem coisas que não quero que elas conheçam, porque prefiro guardar para mim ou para quem está mais próximo.
De fato, há aspectos que escolho preservar, mas não tenho dúvida de que tudo aquilo que quis mostrar ao público já mostrei e continuo mostrando.
E tudo o que sentir que devo compartilhar, seja de uma forma pessoal ou profissional, vou sempre fazer com muita honestidade e vulnerabilidade.
Mas existe um cantinho pessoal que prefiro manter escondido", ressalta.
Depois de tantos anos de exposição, a maturidade que Priscilla descreve não aparece como uma tentativa de controlar a própria imagem, mas como uma forma diferente de se relacionar com ela.
Olhar para trás, nesse sentido, não significa escolher o que poderia ter sido diferente.
É reconhecer a menina que começou cedo, as experiências que vieram depois e a mulher que chegou aos 30 anos com vontade de continuar experimentando.
Ao imaginar o que a Priscilla de oito anos, que iniciou a carreira no México, pensaria da artista que se tornou, ela não hesita: seria motivo de orgulho.
Para aquela menina, deixaria um conselho que resume a fase atual: ter paciência e confiar no tempo das coisas.
"Olha, acho que ela iria amar.
Costumo dizer que me tornei a pessoa que dizia que seria quando tinha seis anos.
Então, com certeza, ela ficaria muito orgulhosa e admirada, e pensaria: ‘É isso que eu quero ser’.
Para ela, eu diria simplesmente para ter paciência, porque as coisas acontecem na hora certa.
Se a gente fizer tudo direitinho e der o nosso melhor, chega lá", aconselha.