Ancelotti diminui a média de gols sofridos da seleção e projeta um futebol pragmático na Copa

 

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Carlo Ancelotti não está errado: sistema defensivo sólido é a base para o bom desempenho em Copa do Mundo. Nos dez Mundiais disputados nos últimos 40 anos, por exemplo, especificamente desde a Copa do México, de 1986, só no do Catar, em 2022, o campeão teve média de mais de um gol sofrido por jogo. No caso, a Argentina, que levantou o troféu na disputa por pênaltis.  

Em todos os outros nove, a seleção campeã teve média entre o 0,29 de França (1998), Itália (2006) e Espanha (2010) e o 0,86 também da França, em 2018. E como nas quatro últimas edições, a média de gols sofridos subiu de 0,29 para 1,14, é possível crer que a do próximo campeão fique em volta de 0,71 – até seis em oito jogos. Nasce neste particular a tese defendida pelo treinador italiano.

Com Dorival Júnior, o time sofreu 17 gols em 16 jogos disputados em 12 meses – média de 1,06 por partida. Sob o comando de Ancelotti, foram oito em dez jogos – média de 0,80. Ou seja, bem mais próximo do que se projeta. Ancelotti teve dez meses e estes dez jogos para testar jogadores, carimbar a classificação à Copa e traçar um modelo de jogo para o torneio.

E neste período fez dois jogos contra europeus – perdeu para França (2 a 1) e venceu a Croácia (3 a 1). Sendo possível dizer que a derrota para os franceses, em Boston, com cinco reservas no sistema defensivo, mais apontou caminhos do que surpreendeu. E é para isso que servem os amistosos a 70 dias do Mundial, totalmente dominados pelo receio das lesões.  

O objetivo da comissão técnica, por ora, é compilar os dados dos 54 testados e identificar quem são os mais indicados (física, técnica e mentalmente) para a estratégia no jogo a jogo. Parreira fez algo parecido em 1994 e Felipão repetiu a estratégia em 2002. Um abriu mão de Neto e Marcelinho; o outro, de Romário e Djalminha – escolhas pessoais e arrojadas que deram certo.

Pelo que se comentava nos bastidores da CBF antes a bola rolar para o amistoso de ontem, com a Croácia, Ancelotti está convicto de que, independentemente dos resultados, a seleção evoluiu em sua estrutura tática. E que o plano traçado para os confrontos sob seu comando foi concluído satisfatoriamente.

Agora, é torcer para que não haja novas baixas, que melhore as condições físicas dos principais jogadores... E confiar no taco de um técnico acostumado a montar estratégias para torneios eliminatórias.