A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) reviu a proposta inicial de realizar todas as etapas das operações em blockchain em seu projeto experimental de tokenização de ativos. Segundo Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da entidade, as discussões com participantes do mercado levaram à conclusão de que determinados processos poderiam permanecer fora das redes de tecnologia de registro distribuído (DLT), sem a necessidade de migrar integralmente para a nova infraestrutura.
“A nossa intenção era: é tudo on-chain [...] Depois de muitos meses de discussão e de bater a cabeça, a gente falou: não, não precisa ser on-chain, tem coisas que não fazem sentido trazer para o ambiente on-chain”, afirmou Billi, durante evento promovido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV), nesta quinta-feira (8), em São Paulo.
O projeto da Anbima reuniu cerca de 50 participantes para avaliar possíveis ganhos de eficiência com a tokenização de operações do mercado de capitais. Ao comentar a revisão da proposta inicial, Billi relatou que participantes que também haviam trabalhado no Drex, projeto de infraestrutura financeira digital do Banco Central, identificaram dificuldades que poderiam ser contornadas mantendo determinadas etapas fora da blockchain.
Outra questão em aberto é a definição de como ocorrerá a liquidação financeira dos ativos tokenizados, incluindo a eventual utilização de moedas digitais ou depósitos tokenizados. Para Adelaide Aquino, da Associação Nacional das Corretoras de Valores, presente no mesmo evento, essa discussão terá de envolver o Banco Central e considerar a infraestrutura de pagamentos já existente no Brasil.
“A gente vai precisar, sim, conversar [...] e entender como vai funcionar essa parte da liquidação para ganharmos a eficiência que se pretende”, afirmou Aquino . Segundo Billi, a escolha do modelo deverá considerar as características do sistema financeiro brasileiro e avaliar quais soluções oferecem vantagens em relação aos mecanismos atualmente utilizados.
"Não há uma resposta única. A CDBC [versão digital de uma moeda emitida por um banco central], pode ser uma resposta, stablecoin pode ser uma resposta, a princípio.
No Brasil, a gente já tem um sistema de pagamentos muito, muito bom, comparado a qualquer um do mundo”, disse Billi. As discussões ocorrem em paralelo aos trabalhos do Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT) da CVM, que desenvolveu uma proposta de programa experimental para testar a emissão, negociação, custódia e liquidação de valores mobiliários em redes DLT.
A iniciativa prevê a participação voluntária de instituições e a elaboração de relatórios para eventuais mudanças na regulação do mercado de capitais.
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