247 – Diante do cenário de forte volatilidade no mercado financeiro brasileiro após a definição do pleito presidencial, o economista e Mestre em Economia Presley Vasconcellos afirmou que as oscilações bruscas registradas nos ativos não representam os fundamentos reais da atividade produtiva do país.
De acordo com o especialista, o movimento reflete ações especulativas rotineiras no cenário nacional em períodos pós-eleitorais. As oscilações operacionais ganham espaço em meio a um dia de forte instabilidade na B3, no qual o mecanismo de interrupção temporária das negociações precisou ser acionado — medida que não ocorria desde março de 2020.
O cenário de turbulência registrou forte valorização do dólar comercial, que avançou 12,2% e atingiu a marca de R$ 5,60, enquanto os contratos futuros da moeda com vencimento para dezembro subiram 12,5%, negociados a R$ 5,64. A disparada das taxas de juros no mercado secundário também forçou a suspensão das operações para pessoas físicas na plataforma do Tesouro Direto, com o intuito de conter distorções nos preços dos títulos públicos.
O sobressalto do mercado financeiro ocorre logo após a confirmação da reeleição do presidente Lula (PT), ocorrida no domingo (25). Contrariando avaliações alarmistas sobre o comportamento recente do mercado, Vasconcellos enfatiza que a oscilação de ativos é previsível.
“Aumento do dólar e queda na Bolsa, o que explica isso? Todo período eleitoral é um período de especulação. Na nossa história, esse movimento já acontece tem muito tempo, não é uma novidade.
E me espanta pessoas que falam de investimento fazerem isso com um tom de apocalipse. Se você trabalha com isso, você sabe que esse movimento é esperado”, declarou o economista.
O especialista explica que as oscilações expressivas são movidas pelos grandes agentes financeiros internacionais e locais em economias em desenvolvimento. “Basicamente, quem tem muito dinheiro, quem investe muito, sabem que esse movimento é comum principalmente em economias subdesenvolvidas”, observou.
Vasconcellos destacou o impacto da mudança de expectativas ao longo da campanha eleitoral, citando os acenos feitos pelas candidaturas adversárias em relação à alienação de ativos públicos. “O plano de governo do Flávio Bolsonaro não era um plano necessariamente de controle de gastos igual estão vendendo por aí.
Nas últimas quatro semanas, ele mostrou exatamente o que ele estava querendo fazer. O oposto daquilo que ele criticava o Lula.
Ele precisaria aumentar a dívida pública para ele conseguir fazer isso. A diferença entre os dois, que na minha opinião é o que mais muda, é sobre a privatização.
Isso porque o Flávio Bolsonaro e a Daniella Marques deixaram claro diversas vezes que super conversariam para vender Banco do Brasil, vender Petrobras, vender aí uma bancada de estatal. Principalmente aquelas que são negociadas na Bolsa”, explicou.
Segundo o economista, essa perspectiva impulsionou compras pontuais em um primeiro momento. “Então, quando o Flávio ganha no primeiro turno, o que acontece? Quem estava querendo tomar água fresca, comprou muitas ações dessas empresas que fez com que a Bolsa subisse.
E conforme o segundo turno foi andando, pessoas foram revendo as expectativas e falando, olha, parece que o Lula vai ganhar”, acrescentou. Para o analista, o cenário atual reflete apenas um ajuste de posições de investidores que buscam ativos desvalorizados para compra.
“O que tá acontecendo nesse momento, basicamente, é o chacoalhão, é passar a peneira. Bolsa cair, Bolsa subir, dólar subir, dólar cair.
Nesse momento agora, não é indicativo de nada, porque o mercado não está vendo a economia. Ele está querendo comprar ações mais baratas”, enfatizou.
O Mestre em Economia relembrou o histórico das eleições presidenciais passadas para demonstrar a ausência de correlação direta entre o resultado das urnas e a direção imediata dos indicadores da B3. “Só para você ter noção, a Bolsa caiu quando o FHC foi eleito.
Ela caiu menos quando o Lula foi reeleito em 2006. A Bolsa subiu quando a Dilma foi eleita.
Caiu quando ela foi reeleita. E caiu quando o Bolsonaro foi eleito em 2018.
E subiu quando o Lula foi eleito em 2022. Esse movimento já era esperado, isso não é novidade para ninguém que é sério.
Para os economistas que têm um trabalho sério aqui, a gente já está falando isso. Tem tempo do que ia acontecer”, pontuou.
Por fim, o especialista fez um alerta aos investidores sobre a propagação de discursos catastrofistas sem fundamentação técnica. “Só que para o coach, ele precisa noticiar a desgraça para tentar vender a solução.
Então, você que está preocupado de fato com a economia, observa, por exemplo, os indicadores que são, de fato, indicadores expressivos para quem investe aqui dentro”, concluiu. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Presley Vasconcellos (@eupresley)
Brasil 247