Só pelo fato de 27 das 28 jogadoras convocadas por Arthur Elias terem sido testadas em campo — a goleira Yanne, do Bahia, foi a única que não recebeu oportunidades —, pode-se dizer que a Data Fifa rendeu efeitos positivos na seleção brasileira. A oito meses da Copa do Mundo, a prioridade do treinador tem sido fazer os últimos testes para fechar a lista de 26 jogadoras que disputarão o Mundial. Isso foi feito. Mas, por outro lado, é verdade que os amistosos contra a Argentina também trouxeram algumas preocupações para o comandante do time feminino. Com uma vitória e um empate, cinco gols marcados e três sofridos, o Brasil apresentou poder de fogo e conseguiu criar boas oportunidades nas duas partidas. Ao todo, foram 30 finalizações, com mais de 60% de posse de bola em ambos os jogos. Porém, os 20 chutes cedidos para as argentinas indicam certa fragilidade defensiva. E a transição em velocidade parece ser uma das principais fragilidades desta equipe. Pela intenção de apresentar um estilo de jogo ofensivo, com uma forte pressão pós-perda ainda no campo de ataque, Arthur Elias tem apostado numa linha alta na defesa. O problema é que as zagueiras da seleção brasileira parecem ter dificuldade em “correr para trás” no enfrentamento com atacantes velozes. Diversos contra-ataques foram cedidos para as argentinas, o que ocasionou, por exemplo, o pênalti convertido por Bonsegundo. Carência no meio Além da questão das defensoras, pode ser que a carência de meio-campistas na seleção brasileira faça com que a marcação no meio fique um tanto quanto precária. O problema no setor foi admitido, inclusive, por Arthur Elias, que escalou a jovem Kaylane (Flamengo), de 17 anos, junto de outras cinco atacantes. — Kaylane não tem jogado nessa posição no Flamengo, mas tenho que buscar soluções. Temos situações difíceis com algumas jogadoras voltando de lesão ou que não estão sendo convocadas por não estarem em bom momento — explicou o treinador, que tem o costume de utilizar atletas fora das posições originais para buscar maior versatilidade. O copo meio cheio é que se há um problema de opções no meio-campo, sobram boas possibilidades para o ataque. Luany, Bia Zaneratto e Gio, que balançaram as redes, se destacaram. Geyse, que atuou como meio-campista, também brilhou.
Análise: Seleção feminina apresenta ataque funcional, mas dificuldades defensivas e no meio em amistosos contra Argentina
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O Globo
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