Análise: Queda na Copa do Brasil aumenta crise no Botafogo, que tenta dar início em reestruturação

 

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A eliminação do Botafogo na Copa do Brasil com a derrota por 2 a 0 para a Chapecoense, ontem, após ter vencido a ida por 1 a 0, joga ainda mais lenha na fogueira na crise no clube. Além de evidenciar o fracasso que tem sido a temporada alvinegra, já que o time também foi eliminado precocemente na fase pré da Libertadores, o resultado também piora a já ruim situação financeira da SAF, que vislumbrava a premiação da competição nacional como uma importante fonte de renda para os próximos meses.

A Chapecoense, que nada tem com isso, faturou R$ 3 milhões com a classificação conquistada com os gols de Marcinho e Bolasie, ambos no primeiro tempo.

— Não começamos bem, não controlamos o jogo e demos o primeiro tempo para a Chapecoense jogar. Quando tentamos recuperar, era tarde. A culpa é nossa, dos jogadores. Tínhamos a obrigação de passar. É pedir desculpa ao torcedor — desabafou Alex Telles.

Como disse o lateral-esquerdo, os jogadores têm uma parcela considerável de culpa na eliminação. Afinal, fizeram mais uma péssima partida e, além de terem permitido dois gols oriundos de contra-ataques, desperdiçaram pelo menos três oportunidades claríssimas de marcar e levar, pelo menos, para a disputa por pênaltis.

No entanto, é inegável que há outros nomes responsáveis não só pela eliminação, como também pelo completo caos que é o ano do Botafogo dentro e fora das quatro linhas.

Ainda no que diz respeito aos 90 minutos, Franclim Carvalho é um deles. Embora tenha corrigido os erros do último domingo, contra o Atlético-MG, quando levou a campo uma equipe confusa num esquema inoperante com quatro volantes, o técnico português voltou a escalar Danilo como primeiro homem do meio-campo, posicionado entre a dupla de zaga na saída de bola. Mas vale afastar da área o seu goleador e melhor jogador só para tentar qualificar a construção? Experiências recentes já comprovaram que não.

Além disso, Franclim tem apresentado dificuldade em corrigir a transição defensiva do Botafogo. Sem abrir mão de tentar controlar o jogo a partir de uma ideia que tem como característica a manutenção da posse de bola e uma dupla de zaga em linha alta, o português acaba por deixar seu time exposto. Para piorar, Ferraresi, defensor que vive a melhor fase entre os disponíveis, não foi sequer relacionado.

Por outro lado, é quase impossível separar o insucesso de um clube, que tem um número relevante de bons jogadores, das escolhas ruins de uma diretoria cujo principal nome não está sequer no comando mais. Sem John Textor, que aparenta ser carta cada vez mais fora do baralho, o Botafogo tenta dar início a uma necessária reestruturação administrativa. Ontem, o clube social indicou Eduardo Iglesias para ser o novo CEO da SAF no lugar de Durcesio Mello, que deixou o cargo.

“Iglesias integrou o projeto da SAF desde sua criação, atuando como Football Financial Planner e, nos últimos dois anos, na área de Trading do grupo, onde foi responsável pelas transferências internacionais. Em 2023, liderou diretamente as negociações com credores no processo de Recuperação Extrajudicial dos débitos cíveis, aprovada por ampla maioria”, destacou o Botafogo em nota.