'Não é o lugar favorito de muitos': dominado por brasileiros, Surf Ranch vive novo capítulo após venda e críticas de Kelly Slater
A venda da Kelly Slater Wave Company pela World Surf League confirmada pelo GLOBO encerra um dos capítulos mais revolucionários — e também mais debatidos — da história recente do surfe profissional. Palco de domínio brasileiro dentro d’água, o Surf Ranch também passou a conviver nos últimos anos com críticas sobre seu espaço dentro do circuito mundial.
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E uma das vozes mais relevantes nesse debate foi justamente a de Kelly Slater, criador da piscina. Em 2024, o 11 vezes campeão mundial admitiu que o Surf Ranch talvez já não fizesse sentido como etapa regular da elite da WSL.
— O Surf Ranch claramente não é um lugar favorito de muitas pessoas e, embora seja um ótimo dia para quem vai e se divertir com os amigos, talvez seja melhor tirá-lo um pouco do tour ou transformá-lo em uma sessão especial de surfe — afirmou Slater para a revista Stab.
A declaração simbolizou uma mudança importante no olhar sobre a piscina artificial que revolucionou o esporte desde sua estreia oficial. Apresentado em 2015 após anos de desenvolvimento secreto, o Surf Ranch redefiniu o conceito de ondas artificiais ao produzir tubos perfeitos e longos rides controlados por tecnologia.
Com ondas de até 1,8 metro percorrendo mais de 700 metros, o local virou rapidamente um dos ambientes mais técnicos do circuito — cenário em que os brasileiros dominaram praticamente desde o início.
Gabriel Medina e Filipe Toledo monopolizaram as primeiras finais disputadas na piscina. Em 2018 e 2019, Medina venceu Filipinho nas decisões. Já em 2021, Filipe conquistou o título justamente contra o compatriota.
A sequência transformou o Surf Ranch em um símbolo da hegemonia brasileira na WSL durante aquele período. Até hoje, Medina segue como maior campeão da piscina, com dois títulos.
A única quebra desse domínio veio em 2023, quando Griffin Colapinto venceu Italo Ferreira na final da última edição realizada no calendário do circuito.
Apesar do sucesso técnico e comercial, o Surf Ranch passou a dividir opiniões dentro do surfe profissional. Parte dos atletas e fãs criticava a previsibilidade das ondas e a perda do elemento imprevisível do oceano, essência histórica do esporte.
Mesmo assim, a tecnologia criada por Slater se consolidou como referência mundial em ondas artificiais. A WSL informou que a venda da KSWC para um fundo imobiliário de Los Angeles em parceria com o próprio surfista não altera as operações da liga.
