A pesquisa Quaest desta quarta-feira (21) mostra que existe, além de um antipetismo de chegada, um antibolsonarismo de chegada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorre à reeleição, não cresce. Permanece com 44% na pesquisa, como na semana passada. Nada foi agregado com a movimentação nas ruas e nas redes. O senador e candidato do PL, Flávio Bolsonaro, oscilou de 46% para 45%, mesmo depois de ter recebido os apoios de Augusto Cury, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Flávio ganhou os apoios políticos, mas não os votos. Leia mais: A votação de Flávio e Lula em relação ao eleitorado total do Brasil, sem considerar a abstenção foi a seguinte: 35,3% para Flávio, 33,9% para Lula e 31% para os que escolheram outros nomes, votaram em branco, nulo ou não foram votar. Flávio é favorito para ganhar, porque a aprovação do governo não sobe. A aprovação ficou em 46%, ante 47% de desaprovação. Lula não tem combustível para ultrapassá-lo pelas próprias forças. Mas o candidato bolsonarista não consegue captar o sentimento de mudança no eleitorado. É inusitado um líder de eleição no primeiro turno não crescer logo depois da rodada inicial.
A Quaest mostrou que, na pesquisa espontânea, Flávio recuou de 43% para 40%, mesma intenção de voto de Lula. Para o responsável pela pesquisa, Felipe Nunes, é um efeito do debate entre os presidenciáveis na Band. A agressividade de Flávio contra um Lula que parecia perdido, sobretudo no começo da discussão, pegou mal. A rejeição a Flávio deixa a eleição do segundo turno em aberto. Em duas semanas de campanha, Flávio perdeu 14 dias. A gordura em relação a Lula tornou-se uma lâmina muito fina. Como a abstenção sempre prejudica Lula, é razoável supor que 1 ponto percentual de diferença se converta nos 2 pontos percentuais de votos válidos que os separaram no primeiro turno, em 4 de outubro. É pouco. Isso aumenta a importância estratégica do debate na TV Globo nesta sexta-feira. Dificilmente haverá um encontro tão capaz de mudar uma eleição como este.
Jean Carniel/Reuters
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