Análise: como ficou a corrida pelo Oscar após cerimônias do Bafta, do PGA e do Actor Awards
Está chegando a hora... A temporada de premiações está em sua reta final e falta pouco para conhecermos os vencedores do Oscar 2026. A cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que acontece no dia 15 de março, marcará o fim de meses e mais meses de disputas entre os principais filmes e artistas do ano que se destacaram na tela grande no ano passado.
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No último fim de semana, a entrega dos prêmios dos sindicatos de produtores (PGA Awards) e atores (Actor Awards) mostrou que ainda tem muita coisa indefinida na corrida pelo Oscar. Mesmo os favoritismos de "Uma batalha após a outra" na disputa de melhor filme ou de Timothée Chalamet na categoria de melhor ator parecem ameaçados.
Realizado no sábado, o PGA Awards consolidou "Uma batalha após a outra", de Paul Thomas Anderson, como o melhor filme do ano. O longa já havia conquistado o Globo de Ouro, o Critics Choice Awards, o Bafta e o DGA (prêmio do sindicato dos diretores). A premiação dos produtores é considerada um dos principais termômetros para o Oscar de melhor filme. Nos últimos 20 anos, os vencedores do PGA só não conquistaram o Oscar em quatro oportunidades — com "Pequena Miss Sunshine" (2006), "A grande aposta" (2015), "La La Land" (2016) e "1917" (2019).
Em um ano normal seria possível cravar sem muito medo a vitória de "Uma batalha após a outra" no Oscar. Mas um filme vem resistindo entregar esta corrida: "Pecadores". Recordista em indicações ao Oscar, concorrendo em 16 categorias, o filme de Ryan Coogler ganhou fôlego ao conquistar o prêmio de melhor elenco no Actor Awards. Publicações como a Variety vêm apostando que o longa conseguirá ultrapassar o favorito na reta de chegada e levará para casa o Oscar principal.
Corrida pelo Oscar 2026
Arte O GLOBO
Colabora para esta teoria outro prêmio importante conquistado por "Pecadores" na premiação do sindicato dos atores, anteriormente conhecida como SAG Awards. Michael B. Jordan levou o Actor de melhor ator pelo trabalho como os gêmeos Smoke e Stack em "Pecadores", desbancando o favoritismo de Timothée Chalamet, que havia conquistado o Globo de Ouro de melhor ator em filme de comédia/musical e o Critics Choice Awards pelo trabalho em "Marty Supreme".
Somada à derrota no Bafta no domingo anterior, a esnobada no Actor pode significar um segundo ano de decepções para Chalamet. Em 2025, ele chegou a conquistar o SAG por "Um completo desconhecido", mas foi superado por Adrien Brody ("O brutalista") no Oscar.
A vitória de Jordan, inclusive, é boa notícia para Wagner Moura, que concorre na categoria pelo trabalho em "O agente secreto". Ainda que seja um azarão na categoria, após ficar ausente do Bafta e do Actor, o brasileiro vê uma luz no fim do túnel na corrida de melhor ator. Sem um favoritismo absoluto, aumentam as chances de divisão de votos e conquista de Moura.
Se uma vitória de Moura ainda é difícil, as chances brasileiras parecem crescer na disputa de melhor filme internacional. É bem verdade que "O agente secreto" foi ignorado pelos sindicatos americanos e que passou sem prêmios pelas cerimônias europeias das últimas semanas (Bafta, César e Goya), mas seus principais rivais tampouco se sobressaíram. "Valor sentimental" conquistou o Bafta de filme internacional, mas perdeu várias categorias em que era considerado favorito no prêmio britânico. O drama norueguês também levou o Goya de melhor filme europeu, mas a premiação não é um termômetro tão relevante em comparação ao prêmio da Academia. Com as vitórias no Globo de Ouro, no Critics Choice e no Independent Spirit Awards, "O agente secreto" é o filme internacional mais premiado do ano.
Outra categoria que pode render alegrias ao Brasil é melhor fotografia. O paulista Adolpho Veloso conquistou o Critics Choice e o Independent Spirit Awards, e chega com força no Oscar. Ele precisará desbancar Michael Bauman, por "Uma batalha após a outra", vencedor do Bafta, e Autumn Durald Arkapaw, por "Pecadores", premiada no National Board of Review.
Se em algumas categorias o resultado parece indefinido, em outras o jogo já parece ganho. É o caso da disputa de melhor atriz, em que Jessie Buckley conquistou praticamente tudo o que podia pela atuação em "Hamnet: A vida antes de Hamlet": Globo de Ouro em filme de drama, Critics Choice, Bafta e Actor Awards. Premiada no Independent Spirit e no Globo de Ouro de comédia/musical por "Se eu tivesse pernas, eu te chutaria", Rose Byrne até ameaçou o favoritismo de Buckley em determinado momento da temporada, mas sua vitória no Oscar é altamente improvável.
Outro nome que chega à cerimônia do Oscar com o favoritismo consolidado é Paul Thomas Anderson, favorito para receber as estatuetas de melhor direção e melhor roteiro adaptado. Já Ryan Coogler surge como azarão na disputa entre os diretores e favorito na corrida de melhor roteiro original.
