Análise: Clássico sintetiza melhora do Botafogo com Bellão e primeira derrota do Vasco com Renato Gaúcho
O domingo de Páscoa será de alegria e gozações dos botafoguenses sobre os vascaínos. Na despedida do interino Rodrigo Bellão, que retornará ao sub-20 com a chegada de Franclim Carvalho, o Botafogo venceu o Vasco da Gama em pleno São Januário e, de quebra, ultrapassou o rival na tabela do Campeonato Brasileiro. Os gols de Lucas Villalba e Matheus Martins levaram o alvinegro à oitava colocação — uma acima do cruz-maltino — com 12 pontos.
Com duas vitórias consecutivas pela primeira vez na competição, o Botafogo será entregue por Bellão em momento bem melhor do que o recebido pelo jovem treinador de 39 anos. Em termos táticos, a equipe esteve mais compacta e organizada do que na estreia do interino, contra o Athletico-PR. Mas, principalmente no aspecto anímico, o alvinegro passa a impressão de ter revivido. Isso se traduz na virada fora de casa, que representou a primeira vitória em clássicos no ano.
O Vasco, por sua vez, conheceu a primeira derrota sob o comando de Renato Gaúcho. Em atuação sem brilho, o cruz-maltino sentiu a falta de participação do seu trio de meio-campistas. Além de nenhum ter feito boa partida, Tchê Tchê ainda desperdiçou uma chance inacreditável que poderia ter mudado o rumo do jogo. Destaques da equipe no primeiro tempo, Cuiabano e Andrés Gómez, importantes para o setor ofensivo, caíram de rendimento na etapa final.
Pontas decidem
Sob os olhares de Franclim Carvalho, presente em um dos camarotes de São Januário, o Botafogo se defendeu bem na maior parte da partida. A exceção foram os primeiros 20 minutos do segundo tempo, quando o time sentiu mais a ausência de Alex Telles. Substituto do lateral, que deixou o jogo no intervalo com dores musculares, Caio Roque não foi bem na marcação — e foi justamente por ali que nasceram as duas principais chances do Vasco. Primeiro, Tchê Tchê perdeu grande oportunidade com o gol aberto após finalização de Puma Rodríguez. Depois, o lateral uruguaio cruzou para David apenas empurrar e abrir o placar.
O Vasco, porém, não conseguiu transformar o Caldeirão inflamado pelo gol em superioridade. Desconexo em campo, viu o Botafogo crescer após a entrada de Lucas Villalba e não teve forças para reagir. Foi assim que o alvinegro construiu a virada.
Acionado no lugar de Júnior Santos, Villalba deu ao ataque o elemento de imprevisibilidade que faltava. Em sua primeira participação, criou ótima chance desperdiçada por Edenilson. Segundos depois, cabeceou cruzamento de Caio Roque para encobrir Léo Jardim e empatar. Foi o primeiro gol do uruguaio pelo clube.
Minutos depois, foi a vez de Matheus Martins se consagrar. Eleito o melhor em campo, o camisa 11 voltou ao time titular após perder a vaga contra o Mirassol e teve boa atuação. Pelo lado esquerdo, deu trabalho a Puma Rodríguez e criou boas jogadas. De quebra, marcou o golaço que decidiu o clássico, em chute de fora da área. Criticado e chamado de “frangueiro” pela torcida cruz-maltina, Léo Jardim apenas observou a bola morrer no fundo das redes.
Ambos os times voltam a campo ao longo da semana pela Copa Sul-Americana. O Botafogo recebe o Caracas-VEN, na quinta, em partida que marcará a estreia de Franclim Carvalho. Já o Vasco visita o Barracas Central-ARG, na terça-feira.
— Muito feliz, Deus é fiel e sabe o que faz. Eu sempre fiz muito gol na base de fora da área e hoje eu pude provar que eu sei fazer gol. Continuar com os pés no chão, com muita humildade que a gente vai fazer um grande ano ainda. Dancei, tem que ser feliz mesmo, tem que ser alegre. Hoje o nosso grupo fez um grande jogo — disse Matheus Martins.
— Franclim é um grande treinador. Trabalhei com ele em 2024 junto com Artur Jorge. Acho que ele já conhece o grupo, vai ser mais fácil da gente se adaptar e a gente dar segmento no trabalho — completou Matheus Martins.
— Uma felicidade enorme pela importância que tinha a partida, por poder ajudar a equipe — afirmou Lucas Villalba.
