Senadora pede volta de regra que obrigava passageiros a tirar os sapatos em aeroportos nos EUA; entenda

 

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A decisão de permitir que passageiros embarquem sem tirar os sapatos nos aeroportos dos Estados Unidos virou alvo de embate político na área de segurança. A senadora democrata Tammy Duckworth pediu a revogação imediata da medida após a identificação de falhas nos sistemas de triagem da Administração de Segurança no Transporte (TSA).

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Em carta obtida pela emissora CBS News, Duckworth classificou a política como um "ato imprudente" e afirmou que ela pode ter sido adotada “sem consulta significativa com a TSA”.

O ponto central da crítica está em uma auditoria do inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna (DHS), que identificou vulnerabilidades consideradas graves.

As conclusões, segundo reportagens da CBS News, foram mantidas sob sigilo pela liderança do DHS. Segundo a TV americana, testes "secretos" mostraram que os scanners não conseguem examinar sapatos de forma eficaz, o que abre brecha para que itens perigosos passem despercebidos.

Ainda assim, o alerta foi tratado como urgente: o inspetor-geral enviou uma “Carta de Sete Dias” à então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem.

De acordo com a senadora, nenhuma ação corretiva foi implementada desde então.

Risco 'inaceitável'

Duckworth elevou o tom ao comentar a situação. Para ela, o cenário é "escandaloso, inaceitável e perigoso para o público".

— Permitir que uma deficiência de segurança potencialmente catastrófica permaneça por sete meses e contando trai a missão da TSA — disse.

Ela acrescentou:

— No mínimo, a falha da TSA em implementar rapidamente ações corretivas justifica a retirada imediata da política imprudente e perigosa da secretária Noem, que aumenta o risco de um terrorista introduzir um item perigoso em um voo.

Em nova carta, enviada em 3 de abril ao administrador interino da TSA, Nguyen McNeill, a senadora argumenta que a agência pode ter descumprido a lei federal ao não apresentar um plano de correção dentro do prazo de 90 dias. “Tal inação viola a lei federal, as orientações do Escritório de Gestão e Orçamento (OMB) e as próprias diretrizes do DHS”, escreveu.

Regra foi criada após atentado e revogada em 2025

A exigência de retirada de sapatos foi adotada após a tentativa de atentado de 2001, quando um passageiro tentou detonar explosivos escondidos no calçado durante um voo.

A regra foi revogada em julho de 2025, sob a gestão de Kristi Noem, com a justificativa de melhorar a experiência dos passageiros e reduzir o tempo de espera.

Na ocasião, o governo afirmou que a mudança não comprometeria a segurança devido a “avanços tecnológicos de ponta e abordagem de segurança em múltiplas camadas”.

Agora, esse argumento volta a ser questionado. Segundo a CBS News, as recomendações do inspetor-geral continuam “em aberto e sem solução”, e a TSA ainda não respondeu oficialmente às conclusões do relatório.

Para Duckworth, a flexibilização pode ter reintroduzido uma vulnerabilidade conhecida sem garantias de que a tecnologia atual seja suficiente para compensar o risco.

A senadora também criticou a gestão anterior e afirmou que a decisão revelou uma “disposição de apostar a segurança do povo americano”, classificando o episódio como uma “falha impressionante de liderança”.