Apesar da pressão e instabilidade no mercado de combustíveis, o anúncio feito nesta quarta-feira pelo governo Lula de aumentar o subsídio para a gasolina e etanol, além de uma subvenção extra de R$ 1 para o diesel, tem potencial de reduzir os preços na bomba e o IPCA, a inflação oficial, de forma geral, às vésperas do pleito. Ainda que o impacto seja pequeno, em um período de eleição apertada isso também pode fazer diferença e garantir alguns votos para o presidente Lula em um momento de dificuldade nas pesquisas. Ainda que de forma mais moderada e sem forçar nada para os estados, o expediente de atuar nos preços dos combustíveis lembra o que fez o ex-presidente Jair Bolsonaro na eleição de 2022, quando desonerou os produtos em meio a um ambiente de alta do petróleo.
Integrantes do mercado e do próprio governo enxergam algum impacto desinflacionário, ainda que não muito grande em um quadro de inflação da ordem de 5% prevista para este ano. A estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andrea Angelo, calcula um efeito da ordem de 0,15 ponto porcentual a menos no IPCA, com uma redução de 2,1% no preço da gasolina ao consumidor e 6,35% a menos no etanol.
— Mais do que compensar o fim da subvenção, o desenho amplia a desoneração dos combustíveis e adiciona um vetor baixista relevante para a inflação no curto prazo — disse Angelo.
A conta converge com a de outros analistas consultados pela coluna. O impacto, porém, pode ser diluído ou eliminado se a Petrobras fizer algum reajuste de preços nos próximos dias ou semanas, hipótese levantada por alguns integrantes do mercado. A medida vale por um mês, praticamente o tempo que resta para o primeiro turno das eleições. Mas a rigor pode ser prorrogada ou alterada pelo governo, com a justificativa da guerra. Se der alguma sorte, o que não anda ocorrendo, o efeito pode ser ampliado para Lula se os preços internacionais derem uma folga. Mas há também a possibilidade contrária, que tem sido a tônica, de os mercados ficarem ainda mais apertados.
Como uma fonte mencionou, os ataques a refinarias fora do Brasil fazem a pressão de preços no mercado externo ser ainda maior do que o atual nível de cerca de US$ 100 para o petróleo tipo brent, a principal referência para o Brasil.
O Globo