Amigos e sócios, Chiko Guimarães, Guilherme Bill e Luis Bellas abrem ao público o ateliê Arco, no Centro do Rio

Amigos e sócios, Chiko Guimarães, Guilherme Bill e Luis Bellas abrem ao público o ateliê Arco, no Centro do Rio - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Da janela da sobreloja no Arco do Teles se ouve, em alto volume, o sino do VLT, as buzinas da Rua Primeiro de Março e as conversas dos transeuntes na Praça Quinze, logo em frente. Para quem associa um ateliê a um espaço de isolamento criativo pode não parecer o ambiente ideal, mas era exatamente isso que os amigos e sócios Francisco Guimarães, o Chiko, de 22 anos, Guilherme “Bill” Ferreira e Luis Bellas, ambos de 25, buscavam quando encontraram, há cerca de um ano, o imóvel de 1745 onde criaram o ateliê transdisciplinar Arco. ArtRio: Feira chega à 16ª edição com 78 galerias, em paralelo à Semana de Arte do Rio, com mais de 500 eventos CASACOR Rio 2026: Evento celebra obra de Sergio Rodrigues em temporada marcada pela história do Centro da cidade A proposta era de um espaço em que, mais do que serem abrigadas, as pesquisas de artes visuais de Chiko, de audiovisual de Bill e de design e moda de Bellas pudessem transitar e atravessar umas às outras. Desde o último fim de semana, o local, que já contava com um programa de residências, passou a receber o público com sua primeira sala transformada em espaço expositivo, na inauguração da mostra coletiva “Habitar Arco: diálogos transdisciplinares”, com curadoria de Peralta e obras do trio. A programação segue com conversas e oficinas de hoje ao dia 27, dentro do Circuito de Ateliês do Centro que integra a Semana de Arte do Rio, mas a ideia é que o espaço permaneça aberto depois, com um calendário permanente de atividades. — Cada um meio que trabalhava em casa, e eu já estava procurando um lugar só para isso, não necessariamente no Centro. Mas, quando achamos esse espaço, fez muito sentido vir para cá, fazer parte desse movimento de revitalização do Centro através da cultura. E a gente está em contato com todo mundo, tem uma movimentação de pessoas constante, mas também uma movimentação artística por aqui — observa Chiko. — E o nosso trabalho é solitário, em muitos momentos. Aqui a gente não só divide o espaço, mas vai trocando, se cutucando, em relação ao que o outro está fazendo. Sala expositiva do ateliê Arco, na Praça XV Marina Calderon Com formações e experiências diferentes, o trio acaba convergindo em muitos pontos de sua produção. Chiko estuda desenho desde criança, passou a pintar com o grafite e a desenvolver sua pesquisa em artes visuais como nomes como o grafiteiro Carlos Bobi, o especialista em processo criativo Charles Watson e o físico Marcelo Gleiser. Bill, que conheceu Bellas na graduação na PUC, seguiu uma trajetória na fotografia e no audiovisual, sobretudo no espaço público. E Bellas, formado em desenho industrial e especializado em moda, desenvolveu projetos em direção de arte e figurino, criando, em paralelo, pinturas em nanquim e objetos em papel machê. — Já fazia esses trabalhos para mim, sem mostrar para ninguém. Eles me puxaram para esse lugar, me incentivaram a me ver como artista — conta Bellas. — Tive um professor na PUC, o Claudio Magalhães (coordenador do Núcleo de Experimentação Tridimensional — NEXT), que aponta a transdisciplinaridade como uma das melhores maneiras de inovação, diferente do multidisciplinar, quando a gente trabalha as disciplinas individualmente. Aqui a gente mescla as formas de criação, dando uma importância ao processo também. Guilherme Bill, Chiko e Luis Bellas, sócios do ateliê Arco Marina Calderon Bill aponta um movimento coletivo de artistas e ateliês, no qual o Arco está inserido: — Tenho visto tanto uma tentativa dos artistas de trabalharem juntos, se apoiando, trocando ideias. E isso é algo que está na raiz do nosso projeto, além de uma busca de como afetar a cidade, de voltar para a rua e também de criar acesso. É um senso de comunidade que está ficando forte, principalmente nos ateliês do Centro. Galerias Relacionadas Chiko complementa dizendo que, apesar da primeira mostra ser mais focada no trabalho do trio, o espaço expositivo deve seguir aberto a colaborações ou artistas próximos ao espaço: — A gente brinca que não é uma galeria, a intenção não é competir com as outras. Como temos uma proposta de ateliê-escola, a ideia é abrir para trabalhos conjuntos, artistas que estão no nosso entorno, para fazer novas conexões, pensar novas curadorias. E acaba que cada exposição vira um ateliê aberto, não dá para escapar. É bom que mata a curiosidade do público, mostra um pouco do processo, que é muito importante no nosso trabalho.

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