Ameaças de Trump de ataques à infraestrutura civil são crimes de guerra, afirma porta-voz iraniano
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqaei, afirmou nesta segunda-feira (6) que as repetidas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de atacar a infraestrutura civil do país configuram crimes de guerra.
Ele reconheceu os esforços diplomáticos em curso para pôr fim à guerra, mas alertou que 'a negociação é incompatível com ultimatos, crimes ou ameaças de cometer crimes de guerra'.
Segundo a agência de notícias Reuters, o Paquistão entregou a Teerã e Washington uma proposta de cessar-fogo de 45 dias. Baqaei afirmou que 'não é incomum que intermediários transmitam as posições das partes e, naturalmente, esse processo continua'.
'No entanto, a negociação não pode, de forma alguma, ser compatível com ultimatos, crimes ou ameaças de cometer crimes de guerra', acrescentou.
O porta-voz continua e diz que ameaçar 'repetidamente um país com a destruição de sua infraestrutura energética e industrial, ao mesmo tempo que se sinaliza ao regime israelense que ataque alvos civis, seja sozinho ou com a sua cooperação, constitui um crime de guerra tanto sob o direito internacional humanitário quanto sob o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional'.
Ele ainda disse que o Irã elaborou sua resposta às propostas de paz para a guerra no Oriente Médio transmitidas por meio de mediadores e a anunciará quando necessário
Esmaeil Baghaei afirmou que as negociações não poderiam ocorrer sob ameaças, alertando que as ameaças dos EUA de atacar infraestruturas configurariam crimes de guerra. Ele acrescentou que o foco do Irã permanece na defesa do país em meio aos ataques contínuos, enquanto a diplomacia prossegue em paralelo aos esforços militares.
'Há alguns dias, eles apresentaram propostas por meio de intermediários, e o plano americano de 15 pontos foi replicado pelo Paquistão e alguns outros países amigos', disse ele, acrescentando que 'tais propostas são extremamente ambiciosas, incomuns e ilógicas'.
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei.
Divulgação
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores rejeitou a ideia de que dialogar com mediadores seja um sinal de derrota na guerra.
'O fato de a República Islâmica do Irã apresentar suas opiniões de forma rápida e corajosa em resposta a um plano não deve ser considerado um sinal de rendição ao inimigo'.
Em outra declaração na mesma entrevista, ele voltou a levantar dúvidas sobre o resgate do piloto do F-15 americano que caiu na útima sexta-feira (3). O governo acredita que, na verdade, o objetivo era pegar o urânio enriquecido do país.
Ele disse que 'persistem dúvidas e ambiguidades sobre a operação americana'.
'O local onde o avião americano caiu (entre Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad)' fica 'a uma distância considerável' de Isfahan, onde o piloto teria sido resgatado (mais de 20 quilômetros). 'Portanto, existe a possibilidade de uma operação enganosa para roubar o urânio iraniano' da usina nuclear de Isfahan, explicou.
'Mas o ponto fundamental é que a operação foi um fracasso flagrante e uma vergonha catastrófica para eles', completou.
Plano de cessar-fogo
Donald Trump durante jantar anual do Comitê Nacional Republicano do Congresso.
Jim WATSON / AFP
O Irã e os Estados Unidos receberam um plano para um cessa-fogo temporário que depois se tornaria um plano de paz para a guerra do Oriente Médio. As informações são da agência de notícias Reuters.
Entre as propostas, se forem concordadas pelas partes, está da reabertura ainda nesta segunda-feira (6) do Estreito de Ormuz.
O potencial acordo, que assumiria a forma de um memorando de entendimento, foi finalizado pelo Paquistão e enviado ao Irã e a Israel durante a noite, disse a agência, confirmando o que o site Axios havia relatado anteriormente sobre a possibilidade de um acordo em duas fases, com uma trégua imediata seguida de um acordo abrangente.
'Todos os elementos devem ser acordados nesta segunda', disse a fonte, enfatizando, porém, ao contrário do que o Axios havia relatado, que o Paquistão é o único canal de comunicação entre as partes.
Além do cessar-fogo imediato, o plano prevê um prazo de 15 a 20 dias para que as duas partes finalizem os detalhes de um pacto permanente.
Segundo a Reuters, o acordo final incluiria o compromisso iraniano de não buscar armas nucleares em troca do alívio de sanções econômicas e a liberação de ativos congelados.
Apesar de confirmar o recebimento do plano, um alto funcionário do governo iraniano declarou à agência que o Irã não aceita um cessar-fogo apenas temporário e que não reabrirá o Estreito de Ormuz sem garantias de um acordo permanente. Teerã também afirmou que não aceitará ser pressionada por prazos impostos por Washington.
