A vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil) pediu o afastamento cautelar do vereador Senival Pereira de Moura (PT) dos cargos de 1º secretário da Mesa Diretora e de presidente da Comissão de Trânsito e Transporte da Câmara Municipal de São Paulo. Ele foi preso por ligação à organização criminosa PCC
O pedido foi protocolado na Corregedoria da Casa, em representação por quebra de ética e decoro parlamentar, após o petista ser denunciado pelo Ministério Público em investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro e elo com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público.
A representação também pede a destituição de Senival dos dois cargos e retoma o pedido de cassação do mandato apresentado por Amanda em junho. A vereadora questiona a permanência do parlamentar na comissão responsável por fiscalizar o setor em que atua a Transunião Transportes S.A., concessionária investigada no caso.
Senival foi preso temporariamente em 25 de junho, durante a Operação Última Parada, conduzida pelo GAECO, do Ministério Público de São Paulo, e pelo DEIC. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro da facção por meio da Transunião, que opera 50 linhas de ônibus na zona leste da capital e recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema municipal de transporte em 2025.
A Justiça determinou o sequestro de R$ 194 milhões e a intervenção da Prefeitura na concessionária, por meio da SPTrans. Em agosto, o Tribunal de Justiça concedeu habeas corpus liminar ao vereador por excesso de prazo da prisão, sem analisar o mérito das acusações.
Em 2 de outubro, o Ministério Público denunciou Senival e outras 20 pessoas. Na representação, Amanda aponta conflito entre as funções exercidas pelo petista e os fatos investigados.
Como presidente da Comissão de Trânsito e Transporte, Senival ocupa uma posição ligada à fiscalização da SPTrans e das concessionárias de ônibus, incluindo a Transunião, atualmente sob intervenção municipal. Já a 1ª Secretaria da Mesa Diretora envolve atribuições como a assinatura de contratos e a custódia de documentos da Câmara.
O documento cita o promotor Lincoln Gakiya, coordenador de operações de combate ao PCC, que apontou a posição do vereador na comissão como um agravante. Segundo o promotor, a empresa investigada contava com “um abraço dentro do Poder Legislativo Municipal”.
A vereadora argumenta que a apuração sobre o decoro parlamentar independe da responsabilização criminal e aponta possíveis violações ao Código de Ética da Câmara. Além do afastamento cautelar, pede que Senival fique impedido de disputar cargos na Mesa Diretora enquanto o processo estiver em andamento.
O pedido também considera a eleição interna da Câmara, marcada para 15 de dezembro. Sem o afastamento cautelar, o vereador poderá ser reconduzido à Mesa antes da conclusão do procedimento.
Diario do poder