A pele que aparece nas telas nem sempre corresponde àquela que existe diante do espelho. Filtros, maquiagem e edição ajudaram a criar uma imagem de uniformidade que pouco espaço deixa para vermelhidão, textura ou marcas. Por isso, quando Amanda Seyfried surgiu sem tentar esconder alterações no rosto, o gesto chamou atenção para uma questão que vai além da estética. Em participação na série "Beauty Secrets", da Vogue, a atriz mostrou a pele sem filtros e falou sobre o eczema e a dermatite perioral, condições que fazem parte de sua rotina há anos. A volta do glow: por que a maquiagem agora quer uma pele que parece real Butt care: por que o bumbum virou o novo foco dos cuidados com a pele Amanda contou que começou a apresentar uma erupção por volta dos 19 anos e, desde então, passou a buscar acompanhamento dermatológico e a selecionar os produtos usados no dia a dia. O relato também mostra como uma alteração persistente pode mudar a relação de uma pessoa com a própria aparência, especialmente quando se vive sob os olhos do público. A dermatite perioral é uma inflamação que costuma provocar pequenas lesões, vermelhidão, ardência, ressecamento e descamação ao redor da boca, podendo alcançar áreas próximas ao nariz e aos olhos. Já o eczema é um termo amplo utilizado para um grupo de doenças que podem causar coceira, vermelhidão, inflamação e alterações na barreira de proteção da pele. No caso de Amanda, as duas condições aparecem associadas em seu relato. Para a médica Amanda Caroline Costa Leitão, formada pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e com atuação voltada à saúde dos cabelos e do couro cabeludo, o caso ajuda a diferenciar uma questão estética de uma manifestação que pode exigir avaliação médica. "Quando falamos em uma condição como a dermatite perioral, não estamos diante simplesmente de uma pele que apresenta uma 'imperfeição' estética. Existe um processo inflamatório que precisa ser compreendido e, quando necessário, tratado. Vermelhidão, pequenas lesões, ardência e descamação não devem ser automaticamente interpretadas como algo que precisa ser coberto com maquiagem ou corrigido com mais produtos. É importante entender por que aquela pele está reagindo daquela maneira", observa. Quando a tentativa de esconder pode piorar a irritação Diante de vermelhidão, descamação ou pequenas lesões, aumentar a quantidade de cosméticos pode parecer uma solução rápida. Em uma região sensibilizada, porém, o excesso de produtos e ativos pode provocar ainda mais irritação. Na dermatite perioral, diferentes fatores podem desencadear ou prolongar o quadro, o que torna importante identificar o que está por trás dos sintomas antes de modificar a rotina por conta própria. A tentativa de resolver rapidamente o aspecto das lesões pode acabar acrescentando novas fontes de irritação. "A pele inflamada não necessariamente precisa de mais produtos. Muitas vezes, precisamos justamente reduzir os estímulos e identificar o que está desencadeando ou mantendo aquela inflamação. Uma rotina extensa, cheia de ácidos, esfoliantes e ativos, pode não ser adequada para uma pele que está apresentando sinais de irritação. O tratamento precisa partir do diagnóstico e da avaliação das características daquela pessoa", orienta Amanda. Eczema e dermatite perioral: o que explica a pele sensível de Amanda Seyfried Reprodução Instagram Mostrar a pele real não significa abrir mão do cuidado A exposição de Amanda também não deve ser interpretada como um convite a ignorar sintomas em nome da aceitação. Mostrar uma característica que costuma ser escondida pode ajudar a reduzir o estigma, mas reconhecer uma alteração e procurar ajuda quando necessário são movimentos que podem caminhar juntos. "Aceitar a própria pele não significa deixar de cuidar dela. São coisas completamente diferentes. Uma pessoa pode conviver com uma condição dermatológica sem sentir vergonha e, ao mesmo tempo, buscar tratamento para controlar inflamação, desconforto e possíveis recorrências. O objetivo da Dermatologia não deve ser perseguir uma pele absolutamente perfeita, mas preservar a saúde, o conforto e a qualidade da pele", afirma a médica. A discussão ganha outra dimensão em um momento em que redes sociais e filtros modificam a percepção sobre o que seria uma aparência considerada "normal". Poros, textura, vermelhidão e pequenas diferenças, características comuns da pele humana, muitas vezes desaparecem das imagens que chegam ao público. "A exposição de uma pessoa pública mostrando uma condição dermatológica pode ser muito positiva porque ajuda a quebrar a ideia de que uma pele bonita precisa ser completamente uniforme. A pele saudável pode ter textura, pode apresentar alterações e pode passar por fases diferentes. O mais importante é saber identificar quando estamos diante de uma característica individual e quando existe uma condição que merece investigação e tratamento", avalia Amanda.
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Amanda Seyfried tem uma condição de pele que pode ser confundida com acne
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O Globo
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