Alta nas vendas do setor varejista superam projeção da CNC para junho

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Fonte da notícia: Folha de Pernambuco Folha de Pernambuco

A alta de 0,5% nas vendas do varejo de junho, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (13), superou a projeção de 0,1% feita pela Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

O varejo restrito apresentou crescimento de 0,5% na comparação com maio, que teve a alta revisada para 0,3%. O resultado levantado pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE, ficou acima da projeção de 0,1% da CNC.

Segundo a CNC, o resultado foi impulsionado pela recuperação dos supermercados e hipermercados, que avançaram 1,1% após recuarem 1,4% em maio.

A média trimestral apresentou retração de 0,3%, apesar do resultado positivo na comparação mensal. O que representa, para a CNC, uma recuperação ainda não consolidada. 

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Recuperação Entre os oito grupos pesquisados no varejo restrito, quatro registraram crescimento em junho. O principal destaque foi o segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que avançou 1,1%, após recuo de 1,4% em maio.

Por representar o grupo de maior peso na pesquisa, a recuperação foi decisiva para o resultado geral. Na comparação anual, o segmento respondeu por 1,2 ponto percentual dos 2,9% de crescimento do varejo restrito.

A análise da CNC destacou ainda que os preços da alimentação no domicílio recuaram 0,39% em junho, após alta de 1,65% em maio. A menor pressão sobre o orçamento das famílias contribuiu para a recuperação do volume de vendas, embora esse movimento ainda deva ocorrer de forma gradual.

Também registraram alta outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,4%), móveis e eletrodomésticos (0,4%) e artigos farmacêuticos (0,2%). Este último segmento completou 40 meses consecutivos de crescimento na comparação anual.

Queda em escala Quatro atividades apresentaram retração em junho. Livros, jornais, revistas e papelaria tiveram queda de 9,9%; tecidos, vestuário e calçados recuaram 2,6%; combustíveis e lubrificantes diminuíram 1,7%; e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação registraram baixa de 1,3%.

O resultado de livros, jornais, revistas e papelaria é observado de forma diferente em virtude do tamanho reduzido e da volatilidade do segmento. A atividade havia registrado alta de 16,1% em maio. No caso do vestuário, a queda de 2,6% ocorreu mesmo com retração de 2,2% nos preços implícitos.

Varejo ampliado O varejo ampliado apresentou queda de 1,0% em junho, configurando a terceira retração consecutiva. A média trimestral ficou em -0,7%, enquanto o crescimento acumulado em 12 meses foi de apenas 0,8%.

O resultado foi influenciado principalmente pelo desempenho de veículos, motocicletas, partes e peças, que recuaram 1,5%, e de materiais de construção, com queda de 3,5%. Em 12 meses, esses segmentos acumulam perdas de 1,2% e 1,8%, respectivamente.

Para o economista da CNC João Vitor Gonçalves, o desempenho mais fraco das atividades envolvem compras de maior valor em ambiente de crédito ainda restritivo. “A taxa Selic encerrou junho em 14,25%, enquanto a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, apontou que 81,6% das famílias estavam endividadas e 29,9% tinham contas em atraso. Nesse cenário, o custo do crédito e o comprometimento do orçamento reduzem o espaço para aquisições de maior valor”, observou.

Perspectivas Para julho, a CNC projeta crescimento de 0,6% no volume do varejo restrito, com ajuste sazonal. Para 2026, a projeção é de alta de 21%.

O economista completou que o cenário econômico brasileiro ainda aponta desaceleração. “O desempenho do comércio permanece heterogêneo entre os diferentes setores, com características específicas de cada atividade influenciando os resultados. O elevado endividamento das famílias e os efeitos defasados dos juros devem continuar limitando principalmente as atividades mais dependentes de crédito”, disse.

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