Alopecia feminina: por que cada vez mais mulheres estão falando sobre queda capilar

 

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Durante muito tempo, a queda de cabelo foi tratada principalmente como uma condição associada ao público masculino. Nos últimos anos, porém, clínicas dermatológicas e especialistas em saúde capilar passaram a observar um aumento na procura de mulheres por atendimento relacionado ao afinamento dos fios, falhas no couro cabeludo e queda acentuada. O tema também passou a aparecer com mais frequência em redes sociais, na imprensa e em conversas públicas, após relatos de celebridades e influenciadoras que compartilharam suas experiências com a condição.

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A alopecia, termo médico que designa diferentes tipos de queda capilar, não está restrita a faixas etárias mais altas. Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia indicam que cerca de um quarto dos 42 milhões de brasileiros com algum grau de calvície têm entre 20 e 25 anos. No recorte feminino, um levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar aponta que aproximadamente 40% dos pacientes com alopecia são mulheres.

A leitura conjunta desses dados ajuda a dimensionar um cenário em que a condição também atinge pessoas mais jovens e, com frequência, o público feminino. Em mulheres, a perda capilar pode ter impacto emocional por sua relação com identidade e autoestima. Nesse contexto, cresce a busca por acompanhamento médico e por alternativas de manejo estético durante o tratamento.

A maior visibilidade do tema também se relaciona à circulação de relatos de figuras públicas. Casos como o da influenciadora Virgínia Fonseca, que relatou queda de cabelo após a gestação, e da cantora Gretchen, que já falou sobre afinamento dos fios, ajudam a ampliar o debate e a reduzir o tabu em torno do assunto.

Do ponto de vista clínico, entre as formas mais comuns estão o eflúvio telógeno, associado a eventos de estresse físico ou emocional, e a alopecia androgenética feminina, caracterizada pelo afinamento progressivo dos fios, especialmente no topo da cabeça.

Nesse cenário, a especialista em cabelos Tati Cordeiro, criadora do método MegaHairInvisível, afirma que houve aumento na procura por alongamentos entre mulheres com alopecia. Segundo ela, o procedimento também tem sido utilizado como suporte durante o tratamento.

Tati destaca que a avaliação do couro cabeludo é etapa fundamental antes de qualquer procedimento.

"Quando a cliente chega com alopecia, o foco principal é preservar o couro cabeludo e respeitar o momento do tratamento. O alongamento não pode gerar tração excessiva nem pressionar a raiz. Ele precisa ser leve, confortável e planejado para acompanhar a recuperação do fio", explica.

Entre as técnicas utilizadas, a fita adesiva é apontada como uma das opções menos agressivas quando aplicada corretamente.

"A fita adesiva permite devolver volume e comprimento sem sobrecarregar a raiz. Isso faz diferença na autoestima da mulher que está enfrentando a queda. Ela consegue se reconhecer no espelho enquanto trata a causa do problema", afirma.

A especialista reforça que o acompanhamento profissional e a manutenção adequada são essenciais durante o uso de técnicas de alongamento.

"Muitas mulheres chegam fragilizadas, com medo de lavar o cabelo ou de pentear. Quando elas recuperam o volume e a segurança, a postura muda completamente. A autoestima tem papel importante na forma como enfrentamos qualquer tratamento", acrescenta.

O aumento da visibilidade da alopecia feminina acompanha a maior circulação de informações sobre o tema em espaços públicos e digitais. O movimento, segundo Tati, contribui para ampliar o entendimento e o acolhimento em torno da condição.

"Quanto mais falamos sobre alopecia, mais mulheres entendem que não estão sozinhas. Informação e cuidado caminham juntos. A estética pode ser uma aliada nesse processo de recuperação e confiança", conclui.