Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que as pesquisas de intenção de voto divulgadas neste sábado (24) mantêm a disputa em aberto, mas admitem, nos bastidores, o risco de derrota do petista no segundo turno, marcado para este domingo (25). Apesar da preocupação, interlocutores do presidente apostam que a mobilização da militância ainda pode alterar o cenário eleitoral.
Ao longo da semana, na equipe da campanha petista, havia a expectativa de que as pesquisas divulgadas na véspera do segundo turno apontassem para uma vitória inédita de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). Isso porque, no Brasil, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar — como foi o caso de Lula — conseguiu vencer a disputa presidencial no segundo.
A virada, porém, não aconteceu, segundo levantamentos divulgados nesta tarde. Nas pesquisas Quaest e Datafolha de hoje, o candidato do PL aparece com 51% dos votos válidos, enquanto o petista possui 49%, o que configura empate técnico, porque a diferença entre eles está dentro da margem de erro.
Segundo petistas, a previsão interna do partido é que as eleições serão resolvidas por menos de 1 milhão de votos de diferença. No entanto, diferentemente do otimismo que a campanha iniciou a semana, com forte mobilização do canal "Exército do Lula", liderado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), há um certo ceticismo se será suficiente para a vitória de Lula.
Aliados do presidente, por exemplo, dizem ver o cenário incerto para amanhã, mas que não estão tão convictos com a vitória. Uma fonte, inclusive, que irá acompanhar a apuração dos votos "com humildade".
A aposta é a mobilização. Ao longo das últimas 20 horas, Janones vem liderando uma transmissão ao vivo no "Exército do Lula" com artistas e personalidades brasileiras na tentativa de chegar aos indecisos e evitar abstenção.
Neste sábado, Lula fez atos no Rio de Janeiro e em São Paulo. O ato de encerramento de campanha do presidente, que ocorreu na Avenida Paulista, foi tomado por gritos de virada e palavras de ordem e cartazes contra Flávio.
"Vamo virar, vamo virar" e "Olê olê olá, Lula vai virar", no ritmo do grito tradicional do presidente, foram entoados por manifestantes durante todo o trajeto. Antes da caminhada de encerramento, Lula disse estar "convencido" que ganhará as eleições, mas admitiu que a sociedade "quer mudança".
Porém, ponderou que ela deve ser "estrutural", e não "retrocesso". "Jamais imaginei disputar eleição com um mentiroso, miliciano, desqualificado", disse, sem citar Flávio nominalmente, mas relembrando o caso da menina Ana Clara Silva, morta aos cinco anos "[Flávio é] uma pessoa que não tem sensibilidade."
Live com o deputado André Janones e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais YouTube/@LulaOficial
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