Além da roupa: como imagem e comportamento moldam a forma como somos vistos

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Victoria Beckham tem a sobriedade como uma das marcas de sua imagem. O corte de cabelo e os óculos escuros de Anna Wintour se tornaram reconhecíveis. Beyoncé, Rihanna e Kim Kardashian seguem caminhos diferentes, mas também construíram identidades visuais que podem ser identificadas antes mesmo que seus nomes sejam mencionados. Saiba como a escolha das cores na roupa se relaciona com comportamento e a imagem pessoal Veja: Por que o branding pessoal se tornou essencial na carreira, segundo especialista Elas não compartilham o mesmo estilo, nem a mesma persona pública. O que têm em comum é a capacidade de fazer com que determinados elementos — da roupa à postura — sejam associados à maneira como desejam ser percebidas. É aí que a imagem deixa de ser apenas uma questão de estética e passa a influenciar a percepção de autoridade, confiança e presença. Para Bianca Ladeia, especialista em construção de marca pessoal, essa leitura começa antes da fala. "Antes de alguém dizer a primeira palavra, nós já recebemos uma série de informações. Observamos como aquela pessoa entra, como olha, como ocupa o espaço, como se movimenta e o que escolheu vestir. Não significa que essa primeira impressão esteja sempre correta, mas ela existe", explica. Roupa cara transmite poder? Não necessariamente. Uma peça de luxo pode comunicar status ou exclusividade, mas não garante, sozinha, uma imagem de autoridade. O conjunto formado por roupa, comportamento e contexto costuma pesar mais do que o preço de uma peça. "Uma roupa cara pode mostrar que você teve acesso a uma roupa cara. Só isso. Autoridade é outra construção. Se a imagem não combina com a postura, com a maneira de falar e com o lugar que aquela pessoa ocupa, a etiqueta não consegue resolver essa incoerência", afirma Bianca. Por isso, uma produção simples pode ser tão marcante quanto uma composição sofisticada. O reconhecimento costuma vir da repetição de determinados códigos, e não necessariamente da quantidade de informação em um look. Anna Wintour é um exemplo conhecido desse mecanismo. Ao longo dos anos, cabelo, óculos e escolhas de vestuário passaram a funcionar como elementos de identificação. Victoria Beckham também consolidou uma estética própria, baseada em linhas mais sóbrias e uma paleta frequentemente discreta. "Existe uma diferença entre repetição e consistência. Consistência é quando determinados elementos aparecem tantas vezes de maneira coerente que começam a ser associados a você. Não significa criar um uniforme obrigatório. Significa entender quais códigos traduzem a mensagem que você quer sustentar", diz a especialista. A postura também entra nessa leitura A roupa pode ser escolhida com antecedência. A linguagem corporal, porém, continua comunicando durante uma interação. Contato visual, postura, gestos, maneira de ocupar uma cadeira e até o ritmo dos movimentos participam da impressão causada. Isso não significa que presença esteja ligada à extroversão. Uma pessoa mais reservada também pode transmitir segurança. "Existe uma ideia equivocada de que ter presença é falar alto, gesticular muito ou ser a pessoa mais expansiva da sala. Não é. Uma pessoa extremamente silenciosa pode transmitir muita autoridade. Presença tem mais relação com a segurança com que você sustenta o espaço que ocupa do que com a quantidade de espaço que tenta ocupar", observa Bianca. Por que copiar o look de uma celebridade não produz o mesmo efeito? As redes sociais tornaram simples descobrir o que uma celebridade veste e reproduzir uma produção semelhante. O que não pode ser copiado com a mesma facilidade é o contexto que dá sentido àquela escolha. "Quando copiamos um look, estamos copiando apenas a parte visível de uma construção muito maior. Aquela roupa conversa com o corpo, a personalidade, a profissão, o repertório e o comportamento daquela pessoa. O erro é copiar a solução sem entender por que ela funcionou", avalia. Essa lógica também vale para as cores. Preto, azul-marinho, vermelho e branco costumam ser associados a diferentes atributos, mas não existe uma tonalidade capaz de produzir autoridade sozinha. "Eu não gosto da ideia de que basta vestir determinada cor para automaticamente transmitir uma característica. Cor é um código dentro de um conjunto. Sozinha, ela não sustenta uma mensagem", acrescenta. Poder não precisa significar distância A tentativa de transmitir autoridade também pode produzir uma imagem excessivamente rígida. Em ambientes profissionais, por exemplo, segurança pode ser importante, mas capacidade de diálogo e proximidade também fazem parte da percepção sobre alguém. Para Bianca, especialmente entre mulheres, ainda existe a ideia de que ocupar espaços de poder exige abrir mão de características associadas à feminilidade. "Durante muito tempo, principalmente para as mulheres, existiu a ideia de que ocupar determinados espaços exigia endurecer a imagem. Como se feminilidade, delicadeza ou simpatia diminuíssem competência. Não acredito nisso. Autoridade não precisa ser construída pela tentativa de intimidar o outro", pondera. Bianca Ladeia falou sobre como roupa, postura e estilo influenciam a percepção de autoridade Divulgação

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