O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), atacou a oposição no plenário nesta quarta-feira (4), poucas horas depois de o PL lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN) para disputar a presidência da Casa contra ele. Em um discurso de dez minutos, Alcolumbre lamentou a vitória de políticos que, segundo ele, se elegeram ofendendo adversários e debochou de quem questiona a urna eletrônica depois do segundo turno.
“Infelizmente, muitos atores políticos do meu país, chamado Brasil, se promoveram e ganharam eleição ofendendo e agredindo as pessoas”, disse Alcolumbre, da cadeira da presidência, na sessão transmitida pela TV Senado. Ele afirmou que esses políticos não apresentaram propostas para a educação, a saúde ou a economia.
“Mas ofensas, agressões e ameaças foram todos os dias. E o pior de tudo isso, infelizmente pra minha tristeza e de milhões de pessoas, ganharam as eleições.”
O discurso veio depois de o senador Magno Malta (PL-ES) cobrar, da tribuna, o acordo para votar a redução da maioridade penal. Alcolumbre reclamou de colegas que “passam apenas do debate para as agressões em relação a esta presidência”, na tribuna ou em vídeos de rede social, “pra talvez conquistar apoiamento desse radicalismo horrível que nós estamos vivendo no Brasil”.
Ele também citou lideranças políticas que foram ao estado dele, o Amapá, para ofendê-lo, e um parlamentar que o atacou por não abrir pedido de impeachment de ministro do STF. Na reta final, o presidente do Senado falou da urna.
Segundo ele, a mesma urna “prestou” no primeiro turno, quando elegeu 120 deputados federais do partido do candidato derrotado e “vinte e tantos senadores”, e pôs na frente o adversário do presidente Lula, Flávio Bolsonaro (PL). “E quando abriu no segundo turno, não prestou mais a urna”, ironizou.
Alcolumbre disse que quer encontrar alguém que diga “que a urna não prestou desde o primeiro turno”. Horas antes, Rogério Marinho tinha oficializado a candidatura à presidência do Senado na sede do PL, em Brasília, depois de uma reunião da bancada.
Alcolumbre tenta a reeleição. Na mesma sessão, logo depois do discurso, o líder Jaques Wagner (PT-BA) tocou no assunto: “Sabe-se que Vossa Excelência é candidato, sabe-se que o senador Rogério Marinho é candidato”.
Wagner pediu que a disputa seja conduzida “de uma forma altaneira, de debate entre ideias”. O PL terá a maior bancada do Senado a partir de fevereiro de 2027, quando começa a nova legislatura.
A eleição para a presidência da Casa está prevista para a primeira semana de fevereiro, em votação secreta. Para vencer, o candidato precisa de pelo menos 41 dos 81 votos.
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