Alba: depois de anos com perfil de bar, restaurante italiano volta a apostar na comida com o chef Michele Petenzi
O Alba, instalado em um casarão bonito de Botafogo, foi mudando com o passar dos anos. Chegou bem, há uns quatro anos, como um bom restaurante italiano, moderno, chefiado por Meguru Baba, que veio de Trancoso e andou pelas cozinhas de Alex Atala. Abafou. Com o tempo, degringolou. Acabou ganhando um perfil de “gastrobar”, sendo bem mais “bar” do que “gastro”. A boa mesa italiana deu lugar aos petiscos, os vinhos cederam espaço para os drinques e, assim, o Alba virou uma outra história. Até de sucesso para muitos, mas, restaurante mesmo, deixou de ser.
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No final do ano passado, a casa resolveu dar uma nova guinada — até providencial, pensando aqui para o meu lado. E foi aí que entrou em cena Michele Petenzi, ex-Alloro e um dos melhores chefs italianos que temos no Rio. É refinado, original, com domínio absoluto das técnicas e combinações da cozinha italiana (e é químico formado em Roma). A ideia? Reposicionar o Alba como restaurante italiano.
Cozinha para entregar, o chef e sua equipe de cozinha — boa parte egressa do Alloro e do D’Amici — têm de sobra, como conferi esta semana. Massas de primeiríssimas feitas na casa, insumos importados da Itália e os bons vinhos de volta.
Pedimos suppli all'amatriciana para começar, bolinhas douradas de arroz no tomate com muzzarella, guanciale e pecorino romano, com fumacinha saindo a cada mordida (R$ 49, a porção de três). E também a piadina (tipo de pão de italiano que combina farinha à banha de porco) assada no forno de lenha, recheada com mortadela italiana, stracciatella, rúcula, pistache caramelizado e um toque de limão (R$ 62), que comemos toda. E mais a porção de grana padano e o presunto curatelo de 20 meses de cura (R$ 109), acompanhados de pão chamuscado.
Lasanha do Alba
Divulgação/Rodrigo Azevedo
Dos principais — e a fome já tinha atenuado bastante —, selecionamos o risoto de vieiras (que pareciam lagostins) puxado na manteiga e finalizado com bottarga ralada, que salivo só de lembrar (R$ 129), e o tagliatelle genovese, massa que comia muito no Alloro (costumava alternar com o cacio pepe, outro hit do chef) feito com ragu de cordeiro e pecorino romano (R$ 87). Irretocável.
As sobremesa não “desbotaram” (volta e meia acontece de perderem o brilho, especialmente nos italianos). São criações de Aline Carmel, que já passou por Oro, Absurda e Maska e faz as melhores lâminas de mil-folhas: creme de baunilha, framboesas e pistaches (R$ 47).
O Alba voltou. Só falta agora combinar com os clientes, que seguem baixando em peso em pique de bar, em mesões ruidosos. Iguarias pelas mesas? Nada ao redor. Só petiscos e drinques. Não sabem o que estão perdendo.
Alba: três garfinhos (bom)
Rua Martins Ferreira 60, Botafogo. Seg a qui, das 11h30 às 16h e das 19h às 23h. Sex. das 11h30 às 16h e das 19h à 1h. Sáb, das 12h à 1h. Dom, das 12h às 22h.
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