Agropecuária cresce mais de 500% no entorno de áreas protegidas na Amazônia em quatro décadas, mostra MapBiomas

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A agropecuária no entorno de áreas protegidas da Amazônia cresceu 561% nas últimas quatro décadas, segundo levantamento do MapBiomas divulgado nesta quarta-feira. Os pesquisadores fazem uso de imagens de satélite no período de 1985 a 2025. A atividade do setor ocupa 31% desses territórios e possui mais capilaridade em localidades próximas às estradas, ocupando 40,2% da faixa até cinco quilômetros das vias.

Mais hostil à pauta ambiental: Novo Congresso pode analisar multas por satélite do Ibama e proteção de áreas florestais Meio ambiente: Diretora da COP do Brasil acusa Estados Unidos de frear políticas climáticas de outros países Os dados mostram que a presença da agropecuária diminui à medida que aumenta a distância em relação às estradas. Ao considerar o raio de 20 quilômetros das vias, a ocupação cai para 26,7% da área.

O caminho é inverso na análise sobre a presença de vegetação nativa. Ela corresponde a 56,7% da área localizada a até cinco quilômetros das estradas. Já no raio de 20 quilômetros, chega a 69,3%.

O MapBiomas ressalta que, entre as principais rodovias da Amazônia, a BR-163 tem 39% de agropecuária em seu raio de 20 quilômetros, enquanto na BR-364 esse percentual chega a 43,5%. Na BR-319, cuja obra para repavimentação é criticada por ambientalistas e ainda depende de licenciamento, a vegetação nativa representa 86% da área no mesmo raio.

A Amazônia tem 618 mil quilômetros de estradas. Esta análise utiliza vias identificadas a partir de diferentes bases de dados, das quais 41,5 mil quilômetros estão dentro de áreas protegidas.

O levantamento cruza mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBiomas com bases de estradas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e do OpenStreetMap.

Expansão de estradas Pesquisador do MapBiomas, Bruno Ferreira aponta que a expansão das estradas no bioma não representa apenas a abertura de novos caminhos de circulação. Essas obras, segundo o especialista, também ampliam o acesso a áreas antes mais isoladas e podem facilitar a chegada de diferentes atividades e formas de ocupação do território.

— O avanço da infraestrutura, especialmente quando acompanhado pela abertura de ramais e acessos secundários, requer atenção a curto e a longo prazo, pois pode conectar fronteiras de desmatamento, exploração de madeira, ocupação irregular em extensas áreas de vegetação nativa e áreas protegidas.

Nas áreas protegidas, compostas por territórios indígenas, unidades de conservação e terras quilombolas, a vegetação nativa corresponde a 98%.

— As áreas protegidas desempenham um papel fundamental na conservação do bioma, funcionando como uma espécie de barreira à transformação da paisagem e mantendo grandes extensões de vegetação nativa. À medida que estradas, outras atividades e novas formas de ocupação se aproximam de seus limites, essas áreas também passam a sofrer pressões crescentes — aponta Ives Brandão, da equipe da Amazônia do MapBiomas.

Para Brandão, é necessário não só garantir a proteção desses territórios, mas também oferecer condições e políticas que fortaleçam a conservação.

— Quando essa proteção é enfraquecida, essas áreas podem ficar mais vulneráveis justamente em um contexto de avanço das pressões sobre a paisagem ao seu redor.

Tamanho da agropecuária Os dados mostram que, na Amazônia, a agropecuária ocupava 65,3 milhões de hectares em 2025 — o equivalente a 15,5% do bioma. A pastagem ocupa 50,8 milhões de hectares (12% da área amazônica), enquanto a agricultura soma 8,6 milhões de hectares (2%).

O MapBiomas aponta também que parte das áreas abertas para pastagem foi convertida depois em agricultura. Foram 3,7 milhões de hectares, ou 6,2% das áreas desmatadas mapeadas, um fenômeno concentrado sobretudo em Mato Grosso, Rondônia e Pará.

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