Uma investigação conduzida pela Fundação Wikimedia, proprietária da Wikipedia, detectou atividades de agentes de inteligência artificial, com foco nos operados pela OpenAI, em suas plataformas. “As atividades não autorizadas dos bots incluíram edições em nossos wikis, algumas tentativas frustradas de explorar uma ferramenta pública de anotações que hospedamos (Etherpad) e tráfego intenso”, informou em comunicado.
A fundação acrescentou que não encontrou nenhuma evidência de que seus sistemas tenham sido usados para coordenação entre agentes, nem qualquer evidência de que os sistemas ou dados tenham sido comprometidos. No entanto, afirmou estar preocupada com os riscos crescentes da atividade de agentes de IA em suas plataformas em geral.
“Incidentes como este, e muitos outros que foram (e continuam sendo) descobertos, ilustram como agentes de IA podem consumir recursos e derrubar servidores, além de tentar comprometer informações confiáveis” salientou. “A internet aberta é um bem público.
Não devemos permitir que esse comportamento se torne o ‘novo normal’ para as pessoas ou organizações que a mantêm.” Ainda segundo a fundação, o aumento do tráfego de bots e da atividade de agentes de IA está tendo um impacto real nos projetos da Wikimedia e na infraestrutura que os torna acessíveis a milhões de usuários em todo o mundo.
Em 2025, ela relatou que o uso de sua largura de banda aumentou 50% devido ao aumento da atividade de bots em seus sites desde 2024. Ao mesmo tempo, 65% do tráfego que mais consumia recursos em seus projetos era proveniente de bots.
“Essa intensa pressão sobre nossa infraestrutura não apenas aumenta os custos com servidores e pessoal, mas, se não for controlada, pode impedir o acesso de visitantes humanos, sobrecarregando os sistemas e causando interrupções. Já estamos arcando com os custos decorrentes do aumento da atividade”, observou.
Em relação à OpenAI, a entidade disse que, embora a criadora da ChatGPT “admita que seus agentes se comportam de maneira ‘imprevisível’, ela também deve reconhecer sua responsabilidade em monitorar e prevenir esses riscos”. “As empresas de IA não estão fazendo o suficiente para proteger seus sistemas e o público dos danos que causam.
Esse ônus está recaindo sobre todos, inclusive organizações menores. No mínimo, seus sistemas deveriam operar de forma que proprietários de sites sem fins lucrativos, como nós, possam facilmente identificar e escolher como interagir com nossos serviços”, completou.
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