O Brasil está bem posicionado e possui ativos importantes para um mundo e uma economia global em profunda transformação. Mas isso não basta: o desafio é transformar esses atrativos em investimentos, crescimento e competitividade, o que exige diálogos e previsibilidade. É o que apontam os palestrantes na abertura do Fórum Agenda Global 2026, iniciativa do Valor Econômico e da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil).
Veja: Fazenda reduz estimativas do crescimento da economia e da inflação em 2026 Leia também: Arrecadação federal soma R$ 235,6 bilhões em agosto, novo recorde para o mês Realizado em Nova York durante a semana da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e em meio à Climate Week, o evento reuniu ontem lideranças empresariais, autoridades e especialistas. Os debates apontaram para uma globalização mais fragmentada, discutiram os impactos da inteligência artificial (IA) sobre energia, produtividade e comunidades e destacaram as vantagens do Brasil em minerais críticos e energia renovável e o desafio de avançar no processamento desses minerais.
Na indústria, a discussão apontou que o Brasil deve tratar a IA como tema estratégico e que uma política pública bem feita, com responsabilidade fiscal, pode ajudar a atrair investimentos para o país, inclusive para além da tecnologia.
Diante do super El Niño e de outros eventos climáticos extremos, especialistas ressaltaram no evento a necessidade de adaptação, resiliência e cooperação entre os setores público e privado.
Construir pontes Na abertura do evento, Maria Fernanda Delmas, diretora de redação do Valor, afirmou que, “diante de um cenário mais complexo internacionalmente, inovação, competitividade, resiliência e cooperação serão fatores cada vez mais decisivos tanto para países quanto para empresas”. Segundo Delmas, mais do que analisar tendências, a proposta do evento é abrir espaço para “aproximar visões, construir pontes e identificar oportunidades concretas de combinação”.
Fórum Agenda Global 2026. Da esquerda para direita: Maria Fernanda Delmas, Diretora de Redação, Valor Econômico; Nasser Malik, Head Global de Sustentabilidade e Transição no Corporate Banking, Citi; Daniel Erikson, Consultor Sênior da Covington e ex-Assessor Especial da Presidência dos Estados Unidos e Ethan Zindler, Diretor de Pesquisa em Políticas Públicas e Países, Bloomberg NEF Vanessa Carvalho / Valor Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, afirmou que tecnologia, energia, clima, competitividade e segurança fazem parte de “uma mesma equação que tem redesenhado o ambiente global”.
Entenda: Lula diz que Uruguai cedeu ao Brasil cota de exportação de carne bovina para China No centro dessas transformações, disse, está a geopolítica, com efeitos sobre comércio, investimentos e decisões de governos e empresas.
— É uma lembrança bastante humilde de que a geografia ainda conta e muito, mesmo num mundo cada vez mais digital. Talvez em poucos momentos na História da Humanidade tenhamos visto a geopolítica influenciar tanto os fluxos de comércio, investimentos, produção, bem como as decisões dos governos e das empresas — afirmou.
Presidente: Lula sanciona incentivos para minerais críticos no Brasil Nesse cenário, destacou ativos brasileiros como produção de alimentos, matriz energética renovável, recursos naturais e biodiversidade, além de oportunidades em data centers, minerais críticos e biocombustíveis: — O desafio é como transformar esse potencial em resultados, em geração de valor, de inovação e de investimentos.
Tensões geopolíticas Marcelo Marangon, co-head global de corporate banking do Citi, afirmou que tensões geopolíticas, mudanças nas cadeias de suprimentos, segurança energética, transição climática e IA estão redefinindo a forma como as empresas investem, produzem e competem. Ele destacou a energia renovável como vantagem competitiva brasileira, que ganha ainda mais relevância em um mundo no qual segurança energética, disponibilidade de recursos e descarbonização passaram a fazer parte das decisões de investimento.
— Exige diálogo, previsibilidade e colaboração entre governos, empresas, instituições financeiras e investidores — afirmou.
Negócios: Vale compra 30% na mineradora Ligga por US$ 190 milhões O evento conta com a parceria estratégica do Citi, patrocínio master da Philip Morris Brasil, patrocínio de prefeitura do Rio de Janeiro, Copel, ApexBrasil e JBS, companhia aérea oficial Latam e apoio de Binatural, Vale, Ibram e Samarco.
O Globo