Agenda climática: empresas precisam transformar ideias em projetos financiáveis

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Fonte da notícia: Valor Valor

Os fundos sustentáveis somavam US$ 4,13 trilhões em ativos sob gestão em dezembro de 2025, ante US$ 3,55 trilhões um ano antes, segundo análise do Morgan Stanley Institute for Sustainable Investing com dados da Morningstar. O avanço acontece mesmo com o crescimento do movimento anti-ESG, sobretudo nos Estados Unidos, e indica que investidores seguem considerando riscos sociais, climáticos e ambientais na hora de alocar recursos.

"Ainda há uma politização de uma agenda que é pragmática e técnica, como se fosse uma agenda ideológica, o que acaba gerando uma certa aversão. Mas, do outro lado, você tem investidores que continuam reconhecendo a validade da pauta, que sabem ler os números e ver que ativos com boas práticas de sustentabilidade tendem a ser mais seguros", explica Danilo Maeda, diretor-geral da Beon.

O tema também pesa na percepção do público. A pesquisa "Reputação das marcas: o que move o comportamento dos brasileiros", feita pela Nexus, empresa da FSB Holding, mostra que ESG é o terceiro atributo que mais promove reputação para as marcas e, também, o tema mais citado entre os fatores que podem prejudicá-la.

Para as empresas, a questão passa a ser como transformar compromissos climáticos em projetos estruturados, com objetivos e indicadores claros, que consigam acessar financiamento.

Da agenda ESG ao projeto financiável Ter compromissos climáticos ou iniciativas de sustentabilidade não significa, necessariamente, ter um projeto pronto para captar recursos. Segundo Maeda, o primeiro passo é "olhar para a prática de sustentabilidade não como algo paralelo, mas como parte integrante do coração do negócio".

Para isso, as empresas precisam de critérios objetivos que mostrem se uma iniciativa pode, de fato, ser considerada sustentável. Uma referência é a Taxonomia Sustentável Brasileira, que identifica atividades econômicas, ativos e projetos que contribuem para objetivos ambientais, climáticos, econômicos e sociais, e serve de parâmetro para quem busca ​​crédito ou investimento.

Instrumentos e caminhos para o financiamento Na avaliação de Maeda, tirar do papel projetos com benefícios ambientais e climáticos exige mobilizar recursos em uma escala que dificilmente será alcançada apenas com dinheiro público. Assim, bancos, investidores, fundos e agências de fomento passam a olhar com maior atenção para empresas e projetos que demonstrem esses benefícios de maneira consistente.

Um desses instrumentos é o blended finance, um modelo que combina recursos públicos, privados e filantrópicos para viabilizar projetos que teriam dificuldade em condições convencionais.

"O blended é importante porque o capital privado vai olhar risco. Ele só vai assumir um risco maior se o potencial de retorno for proporcionalmente maior. Mas, se eu conseguir, via recursos públicos, diminuir o perfil de risco desses projetos, consigo atrair o capital privado que estava esperando uma boa oportunidade para entrar", afirma Maeda.

Às empresas cabe avaliar as alternativas disponíveis e entender as regras de cada uma. Segundo o diretor da Beon, isso exige "pesquisar, conhecer e buscar aconselhamento para navegar neste ambiente em que as exigências do agente financiador talvez sejam um pouco distintas do que tradicionalmente a companhia está acostumada a cumprir".

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