Nuno Leal Maia está de volta aos palcos na comédia “Meno male”, em cartaz no Teatro dos 4, na Gávea. No espetáculo, ele interpreta um taxista italiano bem apegado aos “valores familiares”, mas descobre que a neta está de caso com um político corrupto e casado.
Confusões na certa! Ídolo da TV nos anos 1980, o ator, que completou 79 anos há uma semana, marcou a nossa teledramaturgia em novelas como “A gata comeu” (1985) e “Top model” (1989). Na entrevista abaixo, o artista, que vive entre Santos, sua cidade natal no litoral de São Paulo, e o Rio, fala sobre seu trabalho no teatro e revela que o público cobra sua volta para os folhetins, dos quais está afastado desde “Amor eterno amor” (2012).
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Como é voltar aos palcos cariocas? Adoro o Rio, por mim ficava aqui direto.
É bom praticar teatro de vez em quando. Paulo Autran vivia, respirava, comia...
Fazia tudo no teatro. Não sou igual a ele, mas gosto muito também.
Alguns atores são apaixonados pelo palco, eu sou apenas um operário da arte. Está sendo muito bom retornar.
Como é seu personagem? A plateia dá boas gargalhadas, apesar do drama pelos quais os personagens passam.
Interpreto Nicola, um italiano conservador, bem tradicional. Ele tem postura rígida com a neta e fica horrorizado quando descobre que a menina está envolvida com um pilantrão.
Você é como Nicola? Não tenho nada a ver com ele! Nem neto eu tenho.
Me descolei da família cedo e sempre vivi sem interferência de ninguém. Segui um caminho que eu trilhei por conta própria.
Não sofri pressão de nada. A peça fala de questões políticas em plena época de eleições...
Ela aborda o funcionalismo público, a partir de um político que é candidato a governador, que puxa o saco de todo mundo. Então, ele mostra como é mais ou menos a política fora da realidade das pessoas.
Mostra a política corrupta, os trambiques e as tramoias. Apesar disso, a peça não é partidária.
Faz a pessoa refletir sobre isso, mas não defende A nem B, direita nem esquerda. Além de Joaquim Lopes e Carmo Dalla Vecchia, você contracena com Suzy Rêgo na peça, com quem você também fez “Top model”.
Ela é uma ótima parceira de cena. “Top model” é encantadora.
É uma das coisas mais incríveis que fiz na carreira. Uma novela que tem Maradona, John Lennon, Jane Fonda, Elvis Presley e Ringo Star, é difícil dar errado (Nuno citou o nome do cachorro, que era uma homenagem ao jogador de futebol Diego Maradona, e dos filhos de seu personagem Gaspar — com exceção de Olivia, vivida por Gabriela Duarte —, interpretados por Ígor Lage, Carol Machado, Marcelo Faria e Henrique Farias, que foram batizados como astros e estrelas).
Gosto de rever sempre, mora no meu coração. O que acha de um remake?
É difícil, né? Não sei se dá para encontrar um grupo tão carismático como aquele. Hoje você trabalha com atores que não têm o mesmo potencial daquela época.
Estão mais preocupados em serem influenciadores. A própria tecnologia apaga um pouco esse carisma das pessoas.
O que assiste na TV atualmente? Só jornalismo.
Atualmente acompanhando notícias sobre política. Aprecio muito.
Não presto muita atenção às novelas, porque é muita coisa. Não dá tempo para a gente absorver tudo.
À noite, gosto de assistir a filmes. Sente falta dos folhetins?
Uma vez ou outra, as pessoas me perguntam quando eu voltarei para as novelas e dizem que estou fazendo falta. É bom sentir saudade.
Eu tô sempre aberto a trabalho. Nuno Leal Maia com Christiane Torloni em "A gata comeu" e atualmente
Rede Globo/ Divulgação; Jofi Herrera/ Divulgação Como foi ter passado o aniversário no palco?
Meu presente foi comemorar no Rio. Não faço questão de festa.
As pessoas ao meu redor fazem, e eu entro na onda. Eu já passei aniversários sem ninguém, quando eu era mais novo, e isso nunca me incomodou.
Como é fazer 79 anos? Qualquer idade traz aprendizado.
A vida hoje em dia é difícil porque é mais corrida: muita gente, muita procura, muita ansiedade. Não se tem mais a tranquilidade de décadas passadas.
Tudo acontece de forma muito rápida, né? Você sente essa ansiedade?
Ah, claro. A ansiedade contamina quem está ao redor.
Você tem que parar e falar: “Espera aí!” Minha mulher, a Mônica (Camillo, também atriz) me segura. Longe da TV, Nuno Leal Maia ganha declaração da mulher ao fazer 78 anos
Instagram Quais seus sonhos para os próximos dez anos?
Ah, eu já fui como Zeca Pagodinho fala na música: “deixa a vida me levar”. Depois dos 70, passei a ser mais Martinho da Villa: “devagar devagarinho”.
A saúde está em dia? Por enquanto estamos aguentando aí.
Às vezes, aparece um probleminha ou outro, mas vamos contornando. Vira e mexe tem que mudar o modo de comer e beber.
Tem que baixar um pouco a bola. A medicina preventiva é ideal porque depender de hospital é terrível.
Serviço Meno Male
Temporada: até 29 de novembro Horários: sexta e sábado às 20h; e domingo, às 19h
Local: Teatro dos 4 (Rua Marquês de São Vicente, 52, Gávea) Classificação: 14 anos
Duração: 75 minutos Ingressos: R$ 173, 37 (inteira) e R$ 73,68 (meia)
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