Aeroporto de Jacarepaguá: um em cada três voos desrespeitam altitude mínima

 

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Um levantamento do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) revelou que 34% dos voos monitorados no Aeroporto de Jacarepaguá descumprem as regras de altitude mínima estabelecidas para a região. Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (18), durante uma reunião com moradores na Barra da Tijuca, de acordo com participantes.

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Participaram do encontro, no Clube Mandala, moradores como o presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrosck, os deputados Claudio Caiado e Hugo Leal, ambos do PSD, e representantes da NAV Brasil, estatal prestadora de serviços de navegação aérea, e da PAX, administradora do aeroporto. Segundo os parlamentares, o Decea explicou que os números foram obtidos a partir de equipamentos de monitoramento instalados no aeroporto há cerca de um ano, capazes de registrar em tempo real a rota, a altitude e o comportamento das aeronaves.

Os dados reforçam reclamações antigas de moradores de Barra, Recreio e Jacarepaguá sobre a poluição sonora e os impactos na qualidade de vida provocados pelos voos em baixa altitude, muito próximos aos prédios. Delair Dumbrosck afirmou que o percentual de infrações não o surpreendeu, mas criticou a ausência de punições desde a instalação do sistema de monitoramento.

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Divulgação

Segundo ele, o Decea informou durante a reunião que começará a notificar empresas e pilotos que descumprirem as regras de altitude e que, em caso de reincidência, poderá haver aplicação de multas.

— O que me surpreendeu foi o Decea dizer que 34% não obedeceram ao que foi definido e que agora, depois de um ano, vão mandar notificações para empresas e pilotos. Desde o momento em que você instalou o radar para aferir as altitudes, já era para multar — afirmou.

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Apesar das críticas, Delair reconheceu que houve melhora no tráfego das aeronaves em relação ao período anterior à instalação dos equipamentos.

— Um ano atrás era um negócio de louco. Os helicópteros passavam baixo, não obedeciam nada. Era um circo. Segundo a pesquisa deles, 66% passaram a obedecer. Eu também acho que eles passaram a voar com altitude maior. Melhorou um pouco — disse.

Durante a reunião, a Câmara Comunitária voltou a defender propostas apresentadas ainda no processo de privatização do aeroporto. Segundo Delair, a entidade participou de reuniões em Brasília com o Tribunal de Contas da União (TCU) para sugerir medidas que reduzissem os impactos das operações aéreas na região.

Entre as propostas defendidas estão a exigência de sistemas de redução de ruídos para helicópteros, a limitação do crescimento da pista para impedir operações de aeronaves de grande porte e a definição de um teto para o número diário de voos.

Os deputados presentes também cobraram maior rigor na fiscalização. Claudio Caiado afirmou que os números apresentados confirmam denúncias feitas há anos pelos moradores da região.

— Não estamos falando de percepção, mas de números técnicos apresentados pelo próprio Decea. Agora precisamos avançar para fiscalização rigorosa e punição para quem descumpre as regras — disse.

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Já Hugo Leal classificou o índice de descumprimento como “extremamente grave” e defendeu mais transparência nas operações do aeroporto:

— Estamos falando de um índice muito alto de descumprimento das regras de altitude, algo que impacta diretamente a segurança operacional e a qualidade de vida da população. Essa luta não é de hoje. Seguiremos cobrando rigor na fiscalização, transparência nas operações e respeito aos moradores de Barra, Recreio e Jacarepaguá.


O GLOBO-Barra procurou o Decea e aguarda manifestação.

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