'Acham que não deixo de ser padre porque não tenho coragem', diz Fábio de Melo afirmando que 'hater virou profissão'

 

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Padre Fábio de Melo falou sobre os ataques que recebe e o ódio disseminado nas redes sociais em entrevista à jornalista Maria Fortuna. Em entrevista ao videocast 'Conversa vai, conversa vem', no ar no Spotify e no Youtube. O sacerdote afirmou que 'hater virou profissão'.

Você bombava no Twitter quando tudo era ainda mato. O que aprendeu sobre a vida nas redes lá para cá?

Toda pessoa pública é imaginada. Me imaginam ou muito pior ou melhor do que sou ou muito melhor. Nos dois extremos é ruim habitar. Queria apenas ser criticado pela verdade. Não é nenhum problema não gostarem de mim. Também não gosto de um monte de gente. E também gosto de muita gente que já me meteu o sarrafo.

Padre Fábio de Melo

Guito Moreto

Foi cruelmente questionado, diziam que não era padre de verdade. Como foi esse momento?

Primeiro, fiquei indignado. Como alguém que não vê meu dia a dia como padre me julga assim? Depois, entendi que não há como lutar contra, não adianta tentar explicar a quem não quer entender. Não querem a verdade, mas o clique. O interesse pela repercussão está acima da ética. Hater virou profissão. Estamos transformando a vida num campo de batalha, isso nos adoece. Acham que não deixo de ser padre porque não tenho coragem. Pelo amor de Deus! Tenho todos os recursos para ser muitas coisas. Estou sendo padre porque amo o meu ofício.

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O que a epidemia da solidão no Brasil diz sobre a sociedade?

Fomos cavando um poço do qual não conseguimos mais sair. Antes, tínhamos dificuldade com pessoas da nossa rua, que davam palpite na nossa vida, nos julgavam. Ninguém suporta ser tão observado. As regras da boa educação diziam que não deveríamos parar na porta de alguém e gritar desaforos. As redes sociais quebraram isso. Não existe mais respeito ao outro. Nunca andei os seus caminhos e me sinto no direito de dizer coisas absurdas sobre você. A solidão está ligada à inconsistência dos vínculos. Temos medo de aprofundar porque entendemos que o excesso de observação do outro sobre nossa vida é doentio e nos retira as espontaneidades que deveriam ser naturais. Está todo mundo com medo do que pode ser dito, interpretado. Não podemos ter mais ninguém ao nosso lado que já criam uma narrativa.