Durante anúncio do Nobel da Paz de 2026, que foi para a jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, a Academia Sueca deu recados indiretos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que defende que deveria receber a premiação. O presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, disse que o Nobel era para uma pessoa que 'foi fundamental para garantir que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio sejam processados'. A decisão do Nobel foi em defesa do direito internacional em um momento que, segundo o presidente, esse direito está 'sob enorme pressão e instituições estão sendo atacadas'. 'A história demonstra que um mundo que opera sem o império da lei é injusto, insensato e desumano. Os juízes, aqueles que zelam pela tênue linha divisória entre a ordem e o caos, são, portanto, merecedores de todo o nosso reconhecimento. Mas hoje, enquanto esses mesmos juízes são punidos e suas instituições são atacadas, precisamos de pessoas com coragem, visão e determinação – qualidades que Navi Pillay demonstra em seu trabalho no tribunal', declarou. Pillay foi juíza do Tribunal Penal Internacional entre 2003 e 2008. Trump tem realizado nos últimos meses recorrentes sanções cada vez maiores contra membros e juízes do TPI, incluindo uma neste ano contra a presidente do TPI, Tomoko Akane, e outros membros que impedia até mesmo viagem para os EUA. O governo Trump afirma que o Tribunal é uma ameaça a soberania americana. Isso foi motivado por críticas pela política de guerras do presidente americano e das sanções já anunciadas, inclusive de crimes de guerra, contra autoridades de Israel, incluindo o premiê, Benjamin Netanyahu. 'O compromisso de Navi Pillay com os princípios jurídicos universais e sua firme bússola moral são constantes em sua longa carreira. Nascida em uma família de origem tâmil indiana sob o apartheid em Durban, África do Sul, Pillay tornou-se advogada e pioneira no direito, confrontando a profunda discriminação estrutural, a segregação e a exclusão'. Jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay foi escolhida para o Nobel da Paz. Antônio Cruz/Agência Brasil 'Um tema comum permeia desde seu trabalho inicial em defesa de Nelson Mandela e outros que se opuseram ao apartheid até sua atuação como juíza em alguns dos principais casos de tribunais internacionais de nossa época', declarou o presidente do comitê. De origem indiana, Navanethem “Navi” Pillay, ela nasceu em Durban, na África do Sul, um bairro pobre nas periferias, fazendo parte de uma minoria étnica, os tânil. Ela serviu, entre 2008 e 2014, como Alta Comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos. Além disso, se tornou a primeira mulher não branca a atuar na Suprema Corte sul-africana. Também teve forte atuação como juíza da Corte Penal Internacional, entre 2003 e 2008, antes de assumir o cargo na ONU, e presidiu ainda a Corte Penal Internacional para Rwanda. Recentemente, ainda atuou como presidente da Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado, entre 2021 e 2025, em meio a crise na Faixa de Gaza pela guerra entre Hamas e Israel. Essa comissão determinou que Israel havia cometido genocídio. Aos 85 anos, em sua carreira ela também foi professora na Universidade de Harvard e Natal, na África do Sul.
Academia dá recado indireto a Trump em vitória do Nobel da Paz: 'direito internacional está sendo atacado'
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