Abstenções, brancos e nulos e “vira voto”: a anatomia da virada de Lula no 2º turno

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Fonte da notícia: Jovem Pam Jovem Pam

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reverteu uma desvantagem de mais de 2,2 milhões de votos para Flávio Bolsonaro (PL) e foi reeleito no segundo turno das eleições de 2026. A virada inédita ocorreu em um cenário de redução de abstenções, votos brancos e nulos e foi acompanhada de uma ofensiva da campanha petista nas redes sociais e nas ruas para conquistar novos votos.

Lula terminou o primeiro turno com 53.879.538 votos (45,16% dos válidos), atrás dos 56.104.503 (47,03%) de Flávio. Na votação decisiva, o presidente chegou a 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 (48,21%) do senador.

Pela primeira vez desde a retomada das eleições presidenciais diretas, em 1989, o segundo colocado da primeira etapa venceu o segundo turno. Nos sete pleitos anteriores decididos em uma segunda votação, o líder do primeiro turno havia confirmado a vitória.

Mais de 10 milhões de votos adicionais Entre os dois turnos, Lula acrescentou 10.376.694 votos à sua votação.

Flávio Bolsonaro cresceu 3.721.538. No primeiro turno, os demais candidatos à Presidência haviam recebido, somados, 9.316.747 votos.

Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro, seguido por Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). A eleição terminou com 128.236.074 votos registrados, dos quais 124.082.273 foram válidos.

O resultado nacional representou a primeira virada de um candidato que começou o segundo turno atrás do adversário desde a redemocratização. Abstenções, brancos e nulos

O comparecimento passou de 125.275.835 eleitores no primeiro turno para 128.236.074 no segundo, aumento de 2.960.239. Em sentido contrário, as abstenções recuaram de 33.469.244 (21,08%) para 30.509.005 (19,22%), uma redução de 2.960.239 eleitores faltantes.

Também diminuiu a quantidade de votos inválidos. Os brancos caíram de 2.300.798 (1,84%) para 1.430.496 (1,12%), diferença de 870.302.

Os nulos passaram de 3.674.249 (2,93%) para 2.723.305 (2,12%), queda de 950.944. Ao todo, brancos e nulos somaram 1.821.246 votos a menos no segundo turno.

Com isso, o total de votos válidos subiu de 119.300.788 para 124.082.273, acréscimo de 4.781.485. Os números mostram a mudança no comparecimento e nas escolhas registradas nas urnas, sem identificar individualmente a origem dos votos adicionais recebidos por cada candidato.

O “vira voto” nas redes sociais Na campanha, uma das principais apostas do segundo turno foi ampliar a mobilização digital, com destaque para a atuação do deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG).

O parlamentar comandou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que ultrapassou 10,6 milhões de usuários na reta final da disputa. Pelo canal, apoiadores recebiam “missões” para divulgar conteúdos e tentar conquistar votos para Lula nas plataformas digitais.

Em uma transmissão ao vivo entre sexta-feira (23) e sábado (24), o presidente disse que pretendia alcançar 11 milhões de integrantes naquele dia e chegar a 13 milhões na sequência. A mobilização digital também contou com fãs-clubes de artistas internacionais, incluindo Taylor Swift, Beyoncé, BTS e Justin Bieber.

A iniciativa ocorreu em meio a disputas sobre a distribuição de conteúdo político nas redes que chegaram à Justiça Eleitoral. Atos nas ruas e disputa nas plataformas

Além da atuação nas redes, apoiadores de Lula promoveram manifestações em capitais do país. Em 11 de outubro, um ato ocupou cerca de sete quarteirões da Avenida Paulista, em São Paulo.

Na véspera do segundo turno, em 24 de outubro, uma nova mobilização reuniu apoiadores ao longo de aproximadamente 14 quarteirões da mesma avenida e contou com a presença do presidente. Lula também participou de manifestação no Rio de Janeiro.

Na reta final da campanha, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que Meta e X apresentassem relatórios a cada seis horas sobre o alcance e a distribuição de conteúdos do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e do influenciador Pablo Marçal.

A decisão também restringiu recomendações automáticas de publicações para usuários que não seguissem os perfis. As acusações de irregularidades discutidas no processo ainda dependiam de apuração.

No domingo da votação, a campanha de Lula acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) após relatar problemas de transporte público. O ministro Cristiano Zanin determinou a extensão do horário de votação até as 19h, pelo horário de Brasília, e depois esclareceu que a medida deveria valer para as seções que ainda não haviam encerrado os trabalhos.

O levantamento reúne os números consolidados da apuração da Jovem Pan e os fatos da campanha detalhados nas reportagens “Como Lula conseguiu fazer virada inédita no 2º turno?” e “Em virada inédita, Lula vence Flávio Bolsonaro e seguirá no Planalto”.

Publicação Original Jovem Pam jovempan.com.br
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